A aparência costuma ser o primeiro fator observado na hora de escolher um piso de madeira. Mas a definição da espécie envolve características que interferem diretamente no desempenho e na durabilidade do material. Tauari, cumaru e garapa apresentam diferenças de densidade, dureza e estabilidade que indicam usos distintos. Antes de definir a tonalidade ou o desenho dos veios, portanto, é importante considerar a rotina do local e o nível de circulação.

Para Conrado Souza, diretor da Akafloor, a aplicação deve orientar a especificação. “A escolha começa pelo uso, e o tom se resolve no acabamento”, afirma. Resistência necessária, fluxo de pessoas, umidade, incidência solar e características do contrapiso são alguns dos pontos que entram nessa análise.

Três espécies, três respostas

Duas peças de decoração escuras sobre um piso de madeira clara, com uma parede bege ao fundo. À esquerda, uma mesa de cabeceira preta com tampo branco e detalhe dourado. À direita, um vaso preto texturizado com formato orgânico.
Piso de Garapa Akafloor: resistência, estabilidade e o tom amarelo-dourado que aquece o projeto.Akafloor/Divulgação

O cumaru é o mais denso e duro dos três, com cerca de 1,0 a 1,1 g/cm³. A resistência ao impacto e ao desgaste favorece locais de circulação intensa, como salas integradas, entradas e áreas comerciais. Também pode ser utilizado em decks e áreas externas. Em contrapartida, sua elevada densidade faz com que responda mais às variações de umidade, o que torna a qualidade da secagem, a instalação e a aclimatação especialmente importantes.

Com aproximadamente 0,8 g/cm³, a garapa fica entre as duas espécies em densidade. Reúne boa dureza e estabilidade e atende a quem procura resistência associada a uma aparência mais clara. Por isso, funciona bem em salas de estar e áreas sociais de circulação média. Naturalmente amarelo-dourada, tende a adquirir uma tonalidade de mel com a ação da luz e do tempo.

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Mais leve, o tauari apresenta cerca de 0,6 g/cm³. Tem menor dureza, mas se destaca pela estabilidade e pela pouca movimentação diante das alterações de umidade. É indicado para quartos, closets e outras áreas com circulação mais baixa. A tonalidade clara também faz da espécie uma alternativa versátil para projetos que preveem diferentes possibilidades de acabamento.

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O uso define a escolha

O fluxo de pessoas é um dos principais parâmetros de especificação. Em áreas de passagem intensa, o cumaru oferece maior resistência ao desgaste. Para uma circulação intermediária, a garapa reúne características equilibradas. Já o tauari se adapta melhor a espaços menos sujeitos a impactos.

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A rotina da casa também merece atenção. Crianças, pets, móveis pesados e o uso de salto fino podem aumentar a exposição do piso a marcas e impactos. No cumaru e na garapa, que são mais resistentes, isso não influencia muito. No caso do tauari, esses fatores devem ser considerados, já que sua dureza é menor.

Cada madeira, uma estética

Piso de tauari, cumaru ou garapa? Como escolher a espécie certa para cada ambiente. Projeto do Studio 120. Quarto moderno com cama de casal, cabeceira estofada branca, painel verde ripado e madeira. Duas mesas de cabeceira de madeira com abajures, colcha marrom e manta xadrez. Cortina branca translúcida, ar condicionado na parede e porta branca à direita.
Piso de madeira Tauari no projeto assinado pelo Studio 120.Guilherme Silveira/Divulgação

As diferenças também aparecem na aparência. O tauari tem coloração bege clara, veios discretos e aspecto uniforme, características que dialogam com propostas leves, minimalistas e contemporâneas. Por aceitar bem a pigmentação, permite uma variedade ampla de acabamentos, dos tons claros e acinzentados a nuances de caramelo, mel e carvalho.

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A garapa apresenta amarelo-dourado quando nova e ganha tonalidade de mel com a passagem do tempo e a exposição à luz. Seu aspecto luminoso e acolhedor combina com propostas tropicais, praianas e de campo contemporâneo. Também pode receber tingimentos que suavizam o amarelo ou tornam a cor mais quente.

No cumaru, a variação natural entre marrom-caramelo e avermelhado é um dos principais elementos visuais. A tonalidade marcada confere presença ao piso e costuma ser valorizada sem pigmentação.

Na Akafloor, o tingimento é realizado na fábrica e integra o processo industrial de acabamento, com aplicação em camadas e proteção por verniz. O procedimento proporciona uniformidade de cor entre as caixas, além de proteger o acabamento.

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Umidade e sol importam

Os cuidados cotidianos são semelhantes nas três opções: limpeza com pano levemente úmido e produto neutro, sem excesso de água, além da utilização de feltros sob os móveis.

Já a resposta às condições do local varia. O cumaru, por sua densidade, reage mais às oscilações de umidade. O tauari apresenta maior estabilidade, enquanto a garapa ocupa uma posição intermediária. Por isso, instalação correta tem papel importante, especialmente em locais sujeitos a alterações de umidade.

A luz natural também interfere na aparência ao longo do tempo. Garapa e cumaru passam por mudanças de tonalidade com a exposição solar. Cortinas e persianas podem contribuir para que essa transformação ocorra de maneira mais uniforme.

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Primeiro o desempenho, depois a cor

Na definição do piso, Conrado recomenda observar os critérios em uma ordem prática: uso e tráfego do local; condições como umidade, incidência de sol e características do contrapiso; estabilidade da espécie em relação à largura da régua; e, por fim, procedência e qualidade da secagem.

A cor não precisa ser o ponto de partida. Tauari e Garapa, por exemplo, oferecem diferentes possibilidades de tingimento, permitindo ajustar a aparência sem abrir mão das características próprias de cada uma. A especificação começa pelas condições de uso e pelo desempenho esperado. O acabamento entra depois, para definir a linguagem visual do projeto.

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