Ao olhar somente os interiores, poderia-se imaginar que esta casa fica em uma fazenda ou em alguma região serrana. Na realidade, a residência criada por Thaís Helena Ribeiro está localizada no coração de São Paulo, na região do Morumbi.
Com 312 m², o imóvel é o lar da moradora Rosana e de seus três filhos. Ela e a arquiteta visitaram outras casas, mas as características rústicas da construção conquistaram o coração tanto da cliente quanto da profissional responsável pelo projeto de interiores.

“É uma casa muito diferente do que se espera encontrar em São Paulo, com muito verde, madeira e uma atmosfera que algumas pessoas associam a uma casa de campo e, outras, a uma casa na Toscana”, diz Thaís.

O projeto original de arquitetura é de Marcos Tomanik, do MTSC Arquitetura. A designer de interiores Vanessa Buarque comprou o imóvel e o reformou na sequência. Quando ela e a família se mudaram para o exterior, Rosana e Thaís entraram para agregar mais um capítulo à história. “Como a casa já tinha muita personalidade, minha intenção nunca foi apagar o que estava ali”, afirma a profissional.
Essa lógica de somar em vez de apagar norteou as decisões de Thaís. Por se tratar de um imóvel alugado, as intervenções foram focadas em decoração, mobiliário, ambientação e iluminação. A materialidade original foi preservada e incorporada ao novo projeto.

“Tijolinho à vista, madeira de demolição, pedra e o piso de mármore, reformado anteriormente por Vanessa Buarque, formam uma base bastante característica e ajudam a criar essa atmosfera de casa de campo ou de uma casa da Toscana. Por isso, não tentamos competir com essa arquitetura”, comenta.

A principal alteração foi a criação de uma quarta suíte a partir da transformação de um ateliê e depósito no primeiro pavimento. “Unimos os dois espaços e projetamos ali uma nova suíte para a filha mais velha, incluindo a marcenaria necessária para o novo uso”, conta.

No mobiliário, a composição mistura as peças da moradora, outras de design assinado e algumas garimpadas. Destacam-se a Poltrona Moleca e as cadeiras Cantu, de Sergio Rodrigues, essas últimas encontradas em antiquário. As poltronas Costela, de Martin Eisler, vieram da casa anterior da moradora.

Completam o mix o Sofá Gomos e as Poltronas Plissadas, assinados pela Suíte Design, e a Mesa Serpentina, criada pelo escritório FGMF, todos para a Líder.
Entre os objetos afetivos estão peças herdadas da avó de Rosana. A antiga máquina de costura foi transformada em aparador. A cristaleira e o bar vintage também foram incluídos na adega.
“Na área externa, utilizamos peças desenvolvidas especificamente para exposição ao tempo, com cordas náuticas, tramas e tecidos tecnológicos”, comenta Thaís.

No quesito cores e texturas, entram tecidos, fibras, tramas, madeira e diferentes acabamentos. A base é natural, e os móveis, obras de arte, objetos e tecidos introduzem mais cor e vida aos ambientes.
Thaís diz que não gosta de fixar uma única estética para o projeto. “Eu definiria a casa mais pela mistura e pelas camadas do que por um estilo específico. É uma casa contemporânea, mas sem aquela sensação de que tudo foi comprado de uma única vez”, aponta. Aqui, as memórias continuam a fazer parte do presente.
“A arquitetura pode ser nova para o morador, mas a história de quem chega ali não começa naquele endereço”, finaliza.













































