Quando a arquiteta Bruna Medeiros chegou ao terreno da futura Villa Eyá, em Alto Paraíso de Goiás, carregou uma escada de madeira por entre as árvores, apoiou-a em um pé de pequi e subiu para ver, com os próprios olhos, a vista que o amigo de infância Elvis DiMatos insistira tanto para ela conhecer pessoalmente. Foi esse instante que definiu o destino do projeto: uma arquitetura que não disputasse protagonismo com a paisagem, mas que colocasse cada hóspede em posição privilegiada para contemplá-la — “como um digno camarote para o vale”, segundo Bruna.

A decisão mais importante do projeto veio logo depois: não fazer terraplenagem. Diante de um terreno com declive acentuado, a arquitetura se adaptou à topografia, e não o contrário. Por isso, os três bangalôs da Villa Eyá — Infinito, Abraço e Sorriso, batizados a partir das sensações que cada um pretende provocar — estão implantados em cotas diferentes, seguindo o desenho natural do relevo.

A escolha também preservou os caminhos naturais por onde a água da chuva já escoava, e cada unidade foi posicionada para equilibrar duas coisas: abrir para a vista do vale e, ao mesmo tempo, manter a privacidade entre os bangalôs, com a diferença de nível e a vegetação preservada fazendo esse papel.
“Apenas as árvores na área de implantação de cada bangalô foram retiradas, e outras foram podadas com precisão para criarmos os decks entre elas. O resultado que buscávamos era muito claro: quando alguém chegasse à Villa Eyá, deveria sentir que as construções surgiram em meio ao Cerrado, e não que o Cerrado precisou abrir espaço para recebê-las”, explica a arquiteta.

Uma casa desenhada para os sentidos

Dentro dos bangalôs, a experiência sensorial foi projetada em camadas. Uma escada flutuante de degraus de madeira natural conduz à suíte, onde a madeira reaparece nas paredes e no teto ao redor da cama — o que Bruna chama de “caverninha segura”, um espaço envolvente que contrasta com a imensidão da paisagem lá fora e favorece o sono. Ao mesmo tempo, grandes aberturas garantem luz e ventilação natural, mantendo o hóspede conectado às variações do dia: a mesma suíte que acolhe à noite se abre para o nascer do sol pela manhã.

Os materiais reforçam essa atmosfera: pedra natural, extraída a menos de 400 km da Villa, reveste a parede da escada, as bancadas e os caminhos do terreno; palha e sisal aparecem na cabeceira da cama e nas luminárias; o perímetro do terreno foi cercado com eucalipto, numa referência direta à paisagem rural brasileira.
“Isso era importante para nós: escolher materiais que não dependessem de parecer sempre novos para continuarem bonitos. Alguns deles ganham ainda mais caráter com a passagem do tempo”, diz Bruna.

Soluções bioclimáticas completam o projeto: varandas e decks foram orientados para sombrear os ambientes de maior permanência, portas e janelas se abrem para que a brisa do vale atravesse os cômodos, e a água de chuveiros, torneiras e das piscinas privativas é aquecida por energia solar.
O que os hóspedes sentem

Para quem se hospeda, a integração entre arquitetura e paisagem é o que fica. “Assim que se entra na sala, já é possível perceber todo o ambiente: a sala, a cozinha, o deck e a piscina. E, da piscina de borda infinita, abre-se diante de nós a vista para o vale”, contam Vicki Nobre, advogada, e Carlos Nobre, juiz do Trabalho, hóspedes recorrentes da Villa. Para o casal, a experiência muda a própria forma de viajar: “Embora a região seja conhecida por turistas que procuram cachoeiras e trilhas, quando vamos à Villa Eyá nós praticamente não saímos da pousada. É como se o lugar nos desse autorização para fazer uma coisa que, no dia a dia, parece cada vez mais difícil: simplesmente parar. ”
O assessor de investimentos Maxsuel Jesus, que já se hospedou em bangalôs diferentes em três visitas — inclusive num período de chuva —, descreve uma sensação parecida ao acordar: “A vista ao amanhecer, com a luz entrando no quarto e iluminando o espaço, é uma experiência que ficou comigo. O canto das araras, os tucanos e, às vezes, os macacos por perto fazem a gente se sentir dentro da paisagem, mesmo estando perto da cidade. ” Para ele, a arquitetura funciona em qualquer estação: “Tanto nos dias de sol, quando a vista e a piscina chamam a atenção, quanto nos dias de chuva, quando dá ainda mais vontade de ficar no bangalô. ”
“Luxo na arquitetura está cada vez menos relacionado à ostentação e cada vez mais à qualidade da experiência. É acordar sem despertador e assistir ao nascer do sol ainda da cama, sentir a brisa entrando pela janela, ouvir o silêncio e perceber que, por alguns momentos, você não precisa ter pressa”, resume Bruna.













































