Existe uma diferença importante entre um apartamento pequeno pensado apenas para “ficar bonito” e um preparado para a vida real. No projeto deste estúdio de 25 m², localizado no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, e assinado pela arquiteta Cristiane Schiavoni, cada decisão se originou do equilíbrio entre estética, praticidade e inteligência espacial.
O imóvel foi adquirido pelo proprietário com a finalidade de investimento, e ele sabia exatamente o perfil de locatário que queria atingir: um morador jovem, urbano e conectado com ambientes descolados, acolhedores e prontos para morar. O objetivo foi atingido com sucesso e hoje o apê é habitado por João Pedro, de 26 anos, publicitário e superconectado com a moda.

“Em 25 m², tudo precisa ser muito bem pensado, e essa metragem não justifica uma execução improvisada ou um layout sem acolhimento e privacidade. A ideia foi lançar mão da versatilidade para ofertar recursos que atendam a todas as necessidades de uma rotina de vida”, recapitula a arquiteta.
Cores vibrantes e atmosfera vintage

A estética do estúdio foge do básico, bastante comum em apartamentos destinados à locação. O tom marcante de amarelo aparece em grafismos geométricos que percorrem paredes e teto, provocando movimento visual e ampliando a personalidade do imóvel. Para a iluminação, a profissional navegou pelas referências industriais e trouxe os trilhos aparentes, com spots direcionáveis, para um aspecto mais cênico.
“O cliente ama cores e essa decisão tem tudo a ver com o aspecto jovial que ele queria imprimir ao imóvel”, conta Cristiane. Ela aproveitou o espaço vertical para a instalação de uma prateleira que acomoda livros, plantas e objetos pessoais, reforçando a sensação de uma casa para ser vivida em plenitude. “As fotos clicadas para a locação não podem transmitir a ideia de um cenário, mas sim do ambiente onde essa pessoa viverá”, enfatiza.

Marcenaria multifuncional valoriza cada centímetro

Em apartamentos compactos, o mobiliário precisa desempenhar múltiplas funções. Aqui, a marcenaria cumpriu seu duplo papel: um rack que conjuga os armários e um banco que é usado também na mesa de jantar.

Ainda na sala, a TV também segue a lógica da otimização: um único aparelho atende tanto o sofá quanto o dormitório, o que reduz custos e libera área útil. “Quando a reforma é feita pelo olhar do investidor, as escolhas do projeto passam pelo critério da racionalidade. É importante entender onde vale investir e o que realmente fará diferença”, analisa a profissional.
Cozinha prática e reforma pontual

Seguindo o propósito de uma obra eficiente, Cristiane eliminou mudanças estruturais desnecessárias. Dessa forma, manteve a bancada original entregue pela construtora, mas optou pela aplicação de revestimento cerâmico na área molhada. “Essa é uma decisão que facilita a limpeza e preserva a integridade do imóvel”, argumenta a arquiteta.
Um desafio a ser resolvido foi a climatização: como o edifício não permitia a instalação da condensadora do ar-condicionado na fachada, a solução foi a instalação de ventiladores de teto na área social e no quarto. Para conferir continuidade espacial, durabilidade e facilidade de manutenção, o piso vinílico foi o material adotado em todo o projeto.
Pequeno, mas com privacidade
A arquiteta conta que, mesmo com 25 m², a planta original era compartimentada, condição que reduzia a amplitude. “Não é à toa o que diz o clichê: em imóveis compactos, cada centímetro faz diferença”, reforça.

Todavia, retirar a parede do dormitório não implicou em excluir a privacidade do morador. O ‘L’ formado pela alvenaria deu lugar a uma estrutura de serralheria com vidro canelado e portas de correr.
“O quarto sempre será um ambiente que pede privacidade. Entendemos que essa troca beneficiou a entrada de luz natural e a percepção de amplitude, ao mesmo tempo em que o João pode decidir fechar as esquadrias quando receber amigos em casa”, esclarece Cristiane.
O desenho da estrutura exigiu atenção técnica, uma vez que a serralheria composta por metalon precisou suportar o peso sem utilizar trilhos no piso. Até a abertura das folhas, que têm entre 63 e 65 cm de largura, foi calculada para preservar a visão da TV para quem está deitado na cama.

No quarto, o desenho baixo da cama, executada em marcenaria, evita excesso de volume visual. Para o armazenamento, o morador tem à disposição o guarda-roupa e um baú lateral que acompanha o comprimento da cama. “O João é muito ligado ao mundo da moda e a estrutura é ideal para organizar todos os seus pertences”, revela Cristiane.













































