Planejar um quarto infantil envolve atender às necessidades atuais da família e prever como o espaço será usado conforme a criança cresce. Nos primeiros meses, a disposição do berço, do trocador e dos objetos de uso frequente facilita a rotina de quem cuida do bebê. Com o tempo, ganha importância deixar brinquedos e livros ao alcance da criança, reservar espaço livre para brincar e incorporar uma área de estudos.
Considerar essas mudanças desde o início permite adaptar o ambiente sem depender de uma reforma completa a cada fase — como mostram os projetos das arquitetas Cilene Lupi, Juliana Fabrizzi, Sabrina Salles e Karen Pisacane
1. No quarto do bebê, concilie o descanso da criança com a rotina de cuidados
Nos primeiros anos de vida, o quarto não é apenas um refúgio da criança: é um espaço de cuidado que abriga boa parte dos itens voltados a essa demanda. Por isso, deve ser também pensado para a rotina de cuidados — o que envolve pensar na iluminação, nos materiais e no conforto do mobiliário.
Uma luz de apoio permite atender o bebê à noite sem acender toda a iluminação do ambiente, enquanto o controle da entrada de luz natural oferece flexibilidade ao longo do dia.
Na escolha da poltrona, vale considerar o apoio para os braços e as costas de quem vai amamentar ou acalmar a criança; nos revestimentos e tecidos, a facilidade de limpeza merece tanta atenção quanto a aparência.

No quarto acima, com projeto assinado por Karen Pisacane, o cuidado com quem vai compartilhar esse espaço aparece na cama auxiliar com detalhes em palhinha, cujo formato lembra um sofá. As almofadas deixam o encosto mais confortável para pais e cuidadores descansarem junto ao bebê e, mais adiante, se acomodarem com a criança para contar histórias.
2. Utilize a decoração para deixar o espaço com a cara da criança
Desde o quarto do bebê, a decoração pode assumir o papel de dar personalidade ao quarto, com elementos que concentram cores e desenhos — e que são fáceis de substituir. Dessa forma, os móveis de uso prolongado não ficam “datados”.
Conforme a criança cresce, suas preferências passam a orientar a decoração, e participar dessas escolhas ajuda a tornar o quarto um espaço com o qual ela se identifica. Cores, estampas e temas podem aparecer no papel de parede, no enxoval e nos objetos, permitindo renovar o ambiente quando os interesses mudam.

Para um pequeno torcedor, Juliana Fabrizzi trouxe o futebol para a decoração e deu aos objetos do morador um lugar de destaque. Emoldurado em verde, o painel de tela metálica preta mantém bolas e bonés à vista e também acomoda o skate. Nas prateleiras, a taça divide espaço com livros e miniaturas. A colcha de veludo verde-esmeralda e a almofada amarela remetem às cores da seleção brasileira, sobre uma base de móveis brancos e piso amadeirado.
3. Pense o espaço para dar autonomia à criança
Decisões práticas do projeto podem influenciar o desenvolvimento da autonomia da criança. Assim, a altura e a disposição do mobiliário devem considerar quem vai usar o quarto, preservando espaço para brincar e incorporando uma área de estudos quando ela fizer parte da rotina.
Com livros e brinquedos ao alcance das mãos, a criança tem a oportunidade de escolhê-los e guardá-los após o uso, por exemplo.

De um lado, este projeto aproveita o espaço vertical com uma marcenaria que cria um mezanino em formato de casinha e um escorregador (ver foto em destaque). De outro, permite que a pequena moradora acesse — e guarde — facilmente suas bonecas em um nicho baixo também em formato de casinha.
4. Não se esqueça de dar espaço para as brincadeiras
Para ser um refúgio verdadeiro ao longo de toda a infância, o quarto precisa permitir que a criança brinque, o que demanda espaço. Para garanti-lo, há diversas alternativas, inclusive aproveitar a marcenaria para criar mezaninos que ampliam as possibilidades de utilização do quarto.

Neste quarto infantil de uma casa de veraneio, Sabrina Salles planejou espaço para os filhos receberem amigos e compartilharem os dias de férias. Duas camas de casal e uma marcenaria acima delas, que acomoda mais dois colchões, permitem reunir a turma com conforto. A estante-escrivaninha incorpora a televisão e deixa o restante do quarto livre para as brincadeiras, que ganham um atrativo a mais com o balanço.













































