Localizado no bairro de Perdizes, em São Paulo, este apartamento ocupa um edifício de arquitetura modernista tombado de arquitetura, implantado em um terreno bastante arborizado. O apartamento já havia passado por uma reforma anterior, mas a disposição dos ambientes não atendia adequadamente às necessidades da nova moradora, principalmente devido à presença de um banheiro muito grande, outro bastante pequeno e uma lavanderia apertada.

Diante disso — e inspirando-se na arquitetura do edifício —, o projeto assinado por Luis Canepa Arquitetos partiu da redistribuição das áreas molhadas, buscando aproveitar melhor a área disponível e adequá-la à nova proposta. Com isso, foi possível criar dois banheiros, uma lavanderia e um pequeno home office, além de um espaço de apoio à cozinha, que funciona como uma extensão dela e abriga a despensa e a geladeira. O resultado foi uma organização espacial mais interessante e funcional.

Outra intervenção importante foi a abertura da cozinha para a sala, que valorizou o fato de o imóvel ser orientado para duas fachadas e receber sol tanto pela manhã, em uma delas, quanto pela tarde, em outra. Assim, a luz natural passou a entrar no apartamento pelos dois lados, e o imóvel passou a receber maior luminosidade, contar com mais ventilação e estabelecer uma relação mais intensa com a vegetação do entorno, tornando-se um lugar mais agradável para os moradores.
Para garantir um pouco mais de privacidade ao home office, foi explorado um interesse pessoal da cliente: o vinho. Uma estante-adega foi criada como elemento de divisão entre os ambientes, funcionando simultaneamente como espaço para armazenamento das garrafas e como filtro visual para o home office.

A escolha dos materiais também buscou estabelecer uma relação direta com a arquitetura modernista brasileira do edifício. Em vez de criar uma intervenção completamente dissociada da construção existente, o projeto procurou recuperar e valorizar elementos que já faziam parte da identidade do apartamento e do prédio.

O taco de madeira original foi restaurado, preservando a materialidade existente. Na cozinha, foi criado um painel de azulejos decorados, reforçando a referência à arquitetura brasileira. Outro elemento que ganhou protagonismo foi o cobogó da fachada dos fundos. O projeto fez questão de mantê-lo em evidência, valorizando sua presença e a qualidade da luz natural que ele proporciona ao interior do apartamento.

A composição de materiais foi complementada pelo uso de vidro canelado e vidro aramado, elementos que contribuem tanto para a linguagem do projeto quanto para a criação de diferentes níveis de transparência e privacidade. Assim, a reforma buscou não apenas reorganizar os espaços para atender às necessidades do novo morador, mas também estabelecer uma relação de continuidade com a arquitetura existente.















































