Localizado no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, este apartamento de 140 m² foi completamente reformado pelos arquitetos Bernardo Gaudie-Ley e Tânia Braida, do escritório Beta Arquitetura, para a moradora e seu filho.
Ela encomendou um projeto que tivesse como principal premissa valorizar sua coleção de arte por meio de uma arquitetura discreta e elegante.

Comprado já com a intenção de passar por uma transformação integral antes da mudança, o imóvel recebeu uma intervenção pautada por uma estética contemporânea de caráter atemporal, inspirada no princípio de que “menos é mais”.

A proposta partiu da preservação de elementos originais, como o piso em taco de peroba-do-campo, restaurado durante a obra, e incorporou materiais naturais e uma paleta neutra para criar uma base equilibrada capaz de destacar as obras de arte distribuídas pelos ambientes.

Embora a área social tenha mantido sua configuração original, os demais setores foram amplamente reestruturados para atender às novas demandas de uso.
Um antigo espaço de circulação deu lugar ao lavabo, enquanto uma grande caixa de marcenaria passou a organizar visualmente a área, ocultando de forma elegante os acessos à cozinha, ao hall, ao lavabo e à circulação.


Na suíte principal, o antigo terceiro quarto foi incorporado para criar um closet e ampliar significativamente o banheiro, que ganhou uma área de banho mais generosa.

Já a cozinha teve sua estrutura preservada, mas recebeu uma reorganização completa de bancadas, equipamentos e áreas de apoio, tornando-se mais funcional e atual.

A concepção arquitetônica privilegiou superfícies limpas, marcenaria em freijó natural e paredes brancas, complementadas por um projeto luminotécnico desenvolvido especialmente para evidenciar as obras expostas.
Como contraponto à neutralidade predominante, a cozinha recebeu armários em tom de verde-bandeira, criando um diálogo direto com fotografias de Andy Warhol presentes no ambiente e acrescentando personalidade ao conjunto.

A coleção da moradora desempenha papel central na composição dos espaços. Na sala de estar, destacam-se trabalhos de Ana Holck, Sued, Almandrade, Gonçalo Ivo, Galvão, Arthur Luiz Piza, José Bechara e Wolfram Ulrich. Já na grande estrutura de marcenaria que organiza a circulação surgem obras de Barsotti, Paulo Whitaker, Macaparana e Manfredo Souza Neto.
Para acompanhar essa atmosfera sofisticada e despojada ao mesmo tempo, todo o mobiliário foi adquirido especialmente para o novo apartamento.

Na área social, chamam atenção a poltrona Peralta, da Mula Preta, revestida em camurça, o par de poltronas Tetê e o banquinho Mocho, de Sergio Rodrigues, além da mesa de centro Rosá e da mesa de jantar Ale, assinadas por Maria Cândida Machado. O conjunto é complementado pelas cadeiras Bossa, de Jader Almeida, e pelas luminárias Norte Sul, desenhadas por Sol Camacho para a Lumini.

Na copa integrada à cozinha, a mesa Caetano e as cadeiras Claudia, de Aristeu Pires, reforçam a linguagem contemporânea da proposta. Na suíte, o destaque é a poltrona Vivi com banqueta, também de Sergio Rodrigues.

Já o quarto do filho recebeu mobiliário da Casa Pronta e enxoval da Branco Casa. Toda a marcenaria foi desenhada sob medida pelo escritório.







































