Seja em imóvel novo ou usado, uma reforma sempre traz o questionamento: será que vai ser possível reaproveitar o que já existe na casa ou apartamento, sem grandes intervenções, ou será que vai ser necessário quebrar tudo?
De acordo com a arquiteta Jociane Mendes, profissional do escritório ResiliArt Arquitetura, um bom profissional pode ajudar a responder a questão. “Durante a vistoria que realizamos para dar início ao projeto, a avaliação é minuciosa. Além do olhar estético, imaginando o que precisa ser trocado ou o que pode permanecer, também averiguamos a questão estrutural”, pontua a arquiteta.
Esse olhar ajuda a definir no projeto de arquitetura as reais necessidades de obras civis, que na maioria das vezes envolve a demolição de paredes e aquilo que já existe — desde o porcelanato instalado até uma marcenaria executada pelo antigo morador.
“De maneira alguma o projeto deve se encaminhar pela ideia de ‘quebra’ tudo e executa novamente. Além da economia de gastos que podemos proporcionar para o cliente, a sustentabilidade é outro fator considerado”, considera.
De acordo com o estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (PNRS), anualmente o Brasil gera cerca de 46,4 milhões de toneladas de Resíduos provenientes da Construção e Demolição (RCD). “Como arquitetos, temos a responsabilidade de contribuir para a diminuição desse volume, produzindo apenas o que for imprescindível”, argumenta Jociane.

O melhor dos mundos
No entendimento da profissional, o cenário ideal é aquele em que é possível aproveitar ou adaptar o que já existe. “A arquitetura nos dá essa articulação, por isso precisamos de perspicácia”, opina.
No mercado de imóveis novos, é recorrente a oferta de construtoras que disponibilizam alguns padrões de plantas e revestimentos a serem escolhidos pelo morador. “Quando participamos desta etapa, conseguimos arbitrar essas decisões de acordo com a ideia do projeto de arquitetura que está em desenvolvimento. Essa possibilidade gera economia de tempo e dinheiro”, analisa Jociane.
Quando não há essa viabilidade, o caminho é estudar o que já existe para entender como alinhar com o estilo do projeto. “Esse esforço sempre dá certo. Uma bancada de banheiro, por exemplo, pode assumir outra vistosidade quando combinada com a marcenaria”, exemplifica.
Os profissionais também precisam buscar soluções para outras situações que não podem ser alteradas. É o caso de uma parede estrutural que não pode ser retirada para uma integração de ambientes. Aí, cabem recursos como a aplicação de um mesmo revestimento no piso, a paleta de cores e a escolha de móveis multifuncionais para criar a fluidez almejada pela união entre os espaços.
Aliás, para Jociane, as adaptações, quando bem estudadas, têm o poder de renovar o ambiente sem uma reforma em grande escala. “Um posicionamento diferente dos móveis e uma pintura são capazes de resolver sem a necessidade de intervenções de grande porte”, enumera.
Economia e investimento
Pensar em uma reforma também diz respeito à definição dos objetivos alinhados ao orçamento disponível. Seja com uma verba mais enxuta ou um valor mais generoso, a arquiteta reitera que o projeto bem definido, que contempla a permanência da estrutura existente, se une ao esforço de reduzir o desperdício e alcançar o resultado sonhado.













































