Assinado pelas arquitetas Adriana Sadala e Maria Eduarda Gomide, do escritório Sadala & Gomide Arquitetura, o projeto desta cobertura duplex de 334 m² está localizado em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. O imóvel é o lar da própria Maria Eduarda, que vive ali com o marido, os dois filhos adolescentes — de 16 e 13 anos — e o cão Beny, da raça Australian Cobberdog.

Desde o princípio, a arquiteta sabia exatamente o que buscava: criar um lar prático, fluido e acolhedor, com integração entre os espaços e atmosfera convidativa para receber amigos e familiares.

“Eu sou apaixonada por receber. Queria uma casa que fosse funcional, mas com alma, que refletisse nossa história e nossa forma de viver”, conta Maria Eduarda.

O pavimento inferior abriga a sala de TV — onde há um canto de trabalho para a arquiteta —, a varanda com sala de jantar e canto de leitura, três suítes e a cozinha principal.

Já o andar superior reúne uma ampla sala integrada à cozinha dos “meninos” — espaço muito usado pelo marido e pelo filho mais velho, que gostam de cozinhar —, um escritório que também serve como quarto de hóspedes (com banheiro e sauna no box), uma varanda coberta com churrasqueira, o terraço com piscina e um lavabo.

O conceito do projeto nasceu do desejo de unir identidade pessoal e profissional, combinando estética contemporânea e conforto familiar. A arquiteta apostou na madeira como elemento de aquecimento visual e no verde da área externa para reforçar a sensação de acolhimento. “Queria uma casa que me representasse, mas que também contasse nossa história, com móveis e objetos que tivessem significado”, explica.

A paleta neutra da arquitetura cria uma base atemporal, permitindo mudar estofados e objetos ao longo do tempo sem perder a essência do lar. As cores aparecem nas almofadas e detalhes decorativos, com destaque para o terraço, onde tons naturais suavizam o sol sem abrir mão da contemporaneidade.


Diversos móveis e peças afetivas vieram da antiga residência: os sofás, as mesas de centro e jantar do andar inferior, além da icônica poltrona Mole, de Sergio Rodrigues. Há também quadros do acervo da família e objetos carregados de memórias — louças da avó, peças da casa de infância do marido em Teresópolis e lembranças da mãe da arquiteta.

Entre os móveis novos adquiridos especialmente para o novo lar, na sala do piso inferior, a arquiteta escolheu um sofá bem confortável, pensado para assistir à TV, acompanhado de pufes que oferecem flexibilidade, funcionando como chaise ou, se necessário, como assentos extras. A poltrona Gaivota, de Ricardo Fasanello, e a cadeirinha de balanço vieram da mãe da arquiteta, como presentes.

A marcenaria atrás do sofá foi projetada para organizar todos os livros do marido, enquanto a estante com portas em palhinha abriga tanto objetos pessoais da arquiteta quanto equipamentos de áudio e vídeo, escondidos, mas ventilados graças à forração de palha.

No andar superior, a arquiteta apostou em peças que reforçam a fluidez entre interior e exterior. A mesa de jantar Disforme, do Estudiobola, de formato orgânico, facilita a circulação e aproxima os ambientes, enquanto a luminária pendente Flock of Light, da Moooi, traz leveza e presença cênica na medida certa, sem sobrecarregar o espaço.

Os materiais reforçam a atmosfera acolhedora: piso de madeira clara no primeiro andar, tetos e paredes brancos para ampliar a luz natural e marcenarias em freijó natural ou laca, algumas com palhinha. Na cobertura, o forro ripado de madeira se estende até a varanda, o piso interno é de porcelanato Burlington, que imita pedra, e a área externa recebeu piso cimentício atérmico, da Adamá.

Na área externa, o gramado, o jardim vertical e o deck criam um refúgio natural, muito aproveitado pelos filhos. A parede de tijolos aparentes reduz o ofuscamento causado pelos prédios vizinhos e traz um toque rústico e acolhedor.

Definindo o estilo como uma arquitetura contemporânea, neutra e atemporal, Maria Eduarda acredita que a escolha por elementos naturais e afetivos é o que garante longevidade ao projeto. E conclui com humor: “O maior desafio foi projetar para mim mesma! É difícil decidir o que faz sentido quando se conhece tantas possibilidades. Mas, no fim, conseguimos criar um lar menor do que o anterior, com o mesmo conforto e bem-estar.”












































