Diante de um dos cenários mais emblemáticos do Rio, o Aterro do Flamengo, a arquiteta Mariana Monnerat assina a reforma deste apartamento de 200 m². O espaço passou por uma revisão completa de layout para se transformar em uma casa acolhedora, fluida e conectada à paisagem.

Pensado para um casal e seu filho de 4 anos, o projeto partiu do desejo de criar um espaço “cara de casa”, com amplitude, praticidade e forte presença de elementos naturais.
“Desde o início, ficou claro que o apartamento precisava de mais integração e respiro. A ideia era construir um ambiente contínuo, onde tudo conversasse: a arquitetura, a rotina e a paisagem”, explica Mariana.

A reforma, que durou nove meses, promoveu uma reorganização profunda dos espaços. A demolição da parede que separava a cozinha das áreas sociais criou um grande espaço integrado. A antiga configuração compartimentada deu lugar a uma área social com generosos 100 m², onde estar, jantar e TV se conectam de forma fluida.

“A cozinha deixou de ser um espaço isolado para se tornar parte ativa da casa, integrada ao convívio e à vista para o Aterro”, conta a arquiteta.


O novo layout também envolveu a reconfiguração dos quartos. Um antigo dormitório foi incorporado à área social, dando origem à sala de TV, enquanto as áreas de circulação foram aproveitadas para ampliar o quarto do filho. Já na suíte principal, parte de outro quarto foi incorporada para atender à demanda por mais armários, sem comprometer o conforto.

Nas áreas molhadas, o projeto partiu praticamente do zero, reorganizando banheiros e criando um lavabo próximo à entrada. A decisão de manter os pontos de hidráulica foi estratégica para controlar a complexidade da obra.

Durante a demolição, no entanto, surgiram surpresas que redefiniram o projeto. Dois pilares estruturais, com dimensões distintas, apareceram na área social. “Em vez de escondê-los, optamos por assumi-los. Transformamos os pilares em cilindros de concreto moldados in loco, que passaram a ser protagonistas do espaço”, afirma Mariana.
Outro desafio foi a descoberta de vigas na área da cozinha, que exigiram um rebaixo de gesso. A solução criou um leve desnível em relação às salas, um detalhe que acabou criando um diferencial no projeto. “A obra tem esse poder de revelar caminhos. O que poderia ser um problema se transformou em um gesto arquitetônico interessante”, diz.

Uma das soluções mais importantes do projeto é a antiga saleta, reinterpretada como uma varanda interna. Com o piso elevado e um banco de concreto desenhado sob medida, o ambiente funciona como transição entre os espaços e convida à contemplação da vista.

Na decoração, peças de design brasileiro e mobiliário contemporâneo se misturam a soluções sob medida, criando uma atmosfera acolhedora e sem excessos. Entre os destaques, estão criações de Sérgio Rodrigues, além de mobiliário autoral e obras de arte que reforçam a identidade do espaço.

“É um projeto que nasce do diálogo constante entre o desenho e a vida. Cada decisão, técnica ou estética, contribuiu para construir uma casa com identidade e permanência”, conclui Mariana Monnerat.














































