A primavera é um convite para olhar novamente para as áreas externas da casa e repensar o paisagismo. Além do gosto pessoal e dos objetivos, na hora de escolher as plantas que vão compor o jardim, é importante considerar o espaço, o clima, a incidência de luz e as características de cada terreno. Assim, é possível construir um espaço bonito sem adicionar muitas tarefas de cuidado ao dia a dia.
“Quando o jardim é pensado de acordo com as condições naturais do espaço, conseguimos escolher plantas que se desenvolvem melhor e, consequentemente, exigem menos intervenções. O paisagismo começa muito antes da escolha da espécie: começa na leitura do lugar”, explica o paisagista e biólogo Júlio Sousa.
Entre as opções que podem compor jardins com diferentes estilos estão lantana, agapanto, lavanda, moreia, penta, russélia e clúsia. Juntas, elas permitem trabalhar não apenas com a floração, mas também com diferentes formatos de folhas, alturas e volumes.


Anna
/Divulgação- A lantana é uma alternativa para quem deseja trazer pontos de cor aos canteiros. Com flores pequenas reunidas em conjuntos e diferentes tonalidades, pode ser usada para criar maciços e bordaduras.
- Já o agapanto acrescenta verticalidade à composição. Suas hastes florais se destacam acima da folhagem e ajudam a criar um desenho mais dinâmico, especialmente quando combinadas com espécies de menor porte.
- Para áreas ensolaradas, a lavanda acrescenta uma camada sensorial ao jardim. Além das flores em tons de lilás, a espécie tem folhagem aromática e pode ser incorporada a composições que valorizam textura e perfume.
- A moreia, por sua vez, trabalha principalmente o volume e a estrutura. Sua folhagem alongada forma maciços densos e pode ser utilizada para delimitar caminhos ou criar transições entre diferentes áreas do jardim.
- A penta é uma opção para pequenos pontos de floração e pode ser utilizada tanto em canteiros quanto em vasos.
- A russélia, com seus ramos pendentes e flores delicadas, acrescenta movimento e pode explorar diferentes níveis no projeto.
- Para completar, a clúsia traz presença principalmente pela folhagem e pelo volume, podendo aparecer em maciços e cercas vivas.
O segredo está na combinação
Mais do que escolher espécies individualmente, o paisagista recomenda observar como elas irão se comportar juntas ao longo das estações. “A composição fica mais interessante quando não pensamos apenas na flor. Folhagem, formato, altura e movimento também fazem parte da paleta do paisagista. Uma planta pode cumprir uma função estrutural enquanto outra entra para trazer cor em determinada época do ano”, explica Júlio.
A combinação entre plantas de diferentes alturas cria profundidade, enquanto a alternância entre folhas largas, finas, lisas ou mais texturizadas evita que o jardim fique visualmente monótono. Outro ponto é considerar a exposição solar e a disponibilidade de água. Uma espécie que se adapta bem a determinado ambiente pode demandar muito mais manutenção quando plantada em condições diferentes das ideais.

“Uma planta considerada de baixa manutenção não é necessariamente de baixa manutenção em qualquer lugar. É preciso entender o microclima, o solo, a luminosidade e a disponibilidade de água. Quando a espécie está no lugar certo, o jardim tende a se desenvolver de maneira mais equilibrada”, afirma o paisagista.
Para quem pretende renovar o jardim nesta primavera, portanto, o caminho não precisa ser uma transformação radical. Pequenos grupos de espécies bem escolhidas podem criar novos pontos de interesse, enquanto a manutenção passa a fazer parte de uma lógica mais simples e previsível.
A ideia é que o jardim acompanhe a rotina da casa — e não o contrário. Com planejamento e uma seleção adequada de espécies, é possível ter uma área externa colorida, volumosa e cheia de vida durante a primavera sem transformar o paisagismo em uma tarefa diária.












































