Por Diego Revollo

Projeto de Pílula Antropofagik Arquitetura.Produção visual: Pílula Arquitetura, Sandra Rodrigues e Bruno Padovan/ Fotos: Denilson Machado/Casa.com.br

Comecei a trabalhar com arquitetura no começo dos anos 2000. Na época vivíamos o auge da “decoração clean” uma das novidades do final dos anos 1990. Confesso que depois de excessos de todos os tipos da década de 1980, tudo que era moderno, era “clean”.

O adjetivo era e foi tão repetido a exaustão por profissionais e clientes, que hoje o termo até parece desgastado e um pouco descolado seu verdadeiro significado. Casas e apartamentos inteiros eram feitos em tons de cru e bege, com pequenos contrastes através fibras e madeiras no tom mel.

Nesse novo “manual” cores eram toleradas no máximo em obras de arte ou em alguma peça especifica da decoração. Na estrutura paredes claras, sempre em tons off white, e toda a marcenaria de portas, guarnições e rodapés passaram a vir laqueados na cor branca.

Projeto de Pílula Antropofagik Arquitetura.Produção visual: Pílula Arquitetura, Sandra Rodrigues e Bruno Padovan/ Fotos: Denilson Machado/Casa.com.br

Confesso que gostava da novidade e entendo que ela funcionava quase que como uma fórmula. Fácil de ser pensada, definíamos assim a estrutura inteira de um projeto: sem grande ousadia, mas com a garantia de um resultado “clean” e elegante.

Projeto de Marê Arquitetura.Julia Ribeiro/Casa.com.br

Eu mesmo, por muitos anos, relutei em adotar mais que uma cor para as paredes. Quando pretendia destacar uma parede ou um ambiente, recorria à marcenaria com revestimentos de painéis e lambril em madeira natural. Por não querer me repetir, aos poucos comecei a ousar mais na marcenaria e também nas cores das paredes e de toda a estrutura.

Coincidência ou não, à medida que adotamos paletas mais ousadas, com duas ou mais cores para as paredes e também para a marcenaria, começamos a cada vez mais nos deparar com projetos semelhantes e também ousados pipocando pelos quatro cantos do mundo.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Muito mais que uma tendência, que para alguns remonta a estética dos anos 1980, que abusava de elementos gráficos nas paredes e uso da cor, adotar a pintura como um elemento forte na decoração é, antes de tudo, uma alternativa de imprimir personalidade e literalmente decorar um ambiente com custo baixo.

Nos exemplos que separei, os resultados são surpreendentes; confirmando a tendência de que cores e criatividade nas paredes devem ainda reinar por muito tempo.

1- Pintura meia parede em duas cores

<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Landhi

Muito usada em outras épocas, a pintura ou mesmo painéis de madeira e lambrils do tipo meia parede retornam a decoração com novos ares. Solução simples e infinitamente mais barata do que a marcenaria tradicional, separar uma parede com duas cores ou mesmo três com a paleta certa, decora e renova qualquer ambiente.

Continua após a publicidade

Aqui o que separa o barrado alto do restante da parede pintada em outra cor é uma linha estreita em pintura preta que simula as antigas baguetes ou arremates de marcenaria dando charme e um ar levemente retrô.

2- Tampo frontão e meia parede no banheiro

<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Landhi

Impossível passar em branco o efeito color block que une tampo e meia parede/frontão neste banheiro. A bancada, em outro plano e material, parece se fundir à parede e combina com as cores lisas das louças e da marcenaria do gabinete.

Observe que para o piso e o restante da parede, mais duas cores, completamente diferentes, entram em cena garantindo uma composição interessante, simples e bastante ousada. Certamente vale a pena arriscar e sair da zona de conforto do banheiro branco quase monocromático.

Opções não faltam uma vez que a indústria oferece uma gama cada vez maior de cores e acabamentos para louças e metais.

3- Composição geométrica na cozinha

<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Landhi

Nessa cozinha a pintura que recobre não só a parede lateral, mas também porta e guarnição na mesma cor é o que complementa e ao mesmo tempo dá vida ao projeto. O detalhe original fica por conta do frontão, que mesmo sendo em pedra, aqui é arredondado e conversa com o tampo da ilha no mesmo material e igualmente com mesmo desenho.

Luminárias esféricas e puxadores arredondados, ambos com metal dourado, dão visual retrô e características únicas ao projeto. Observe que até a tubulação do duto da coifa ao invés de ser disfarçado recebeu pintura em tom terroso e é seu desenho que “amarra” a marcenaria a parede pintada.

4- Retângulos e faixas na parede da cabeceira

<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Landhi

Na parede do quarto, a composição forte e arrebatadora é formada por cores e blocos que se complementam a partir do formato retangular da cabeceira. A paleta de tons terrosos e azuis tem equilíbrio tanto no desenho da pintura, como na escolha das cores, que aqui não se limita a apenas um ou dois tons.

Quase que uma versão atual dos quadros de Mondrian, é inegável o efeito decorativo em contrapartida a simplicidade da solução. Aqui também o espelho e o lustre nitidamente vintages enriquecem a composição e deixam o quarto mais aconchegante.

5- A pintura é a estrela da sala

<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Landhi

Uma parede para ser contemplada com planos, cores e formas perfeitamente transpassados, que aqui dispensam até um possível quadro. Observe que a pintura que avança pelo teto também tem sensação de descer até o piso graças à escolha do tapete e da cor do piso principal da sala.

Com ares de pintura abstrata, a solução mostra que em se tratando de tintas e cores a ousadia e a criatividade são ilimitadas e funcionam como uma amostra sofisticada do que veremos cada vez mais em termos de pintura na decoração.

Continua após a publicidade

©