Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Por Diego Revollo 

Em 14 anos de escritório próprio, um item que sempre gera interesse dos clientes e jamais deixa de ser executado é a chamada Porta Especial. Ainda que seja apenas a porta de entrada, nunca cruzamos com algum cliente que não quisesse ao menos trocar sua porta original por um modelo de porta de entrada maior, fora do padrão e desenhada especialmente para sua casa.

O que grande parte das pessoas não sabe, é que a escolha do tipo de porta não é apenas uma questão estética, ou seja, na maioria das vezes a situação existente e o uso que se pretende são os fatores que determinam a escolha do mecanismo de funcionamento.

Separei aqui quatro modelos que costumamos usar e também as situações que eles mais se encaixam e quando devem ser usados.

1- Porta Pivotante

<span class=”hidden”>–</span>Eduardo Pozella/Casa.com.br

As portas pivotantes começaram a ser usadas no Brasil nos anos 1990. Sua rotação é feita através de um eixo vertical com pivôs instalados na parte inferior e superior da folha – o que dispensa o uso das dobradiças tradicionais.

A vantagem desse tipo de porta é ter a flexibilidade de posicionar o eixo em qualquer parte do comprimento da folha, sendo possível determinar exatamente a parte da porta que se quer projetar para fora e também para dentro no momento da abertura.

Projeto de Carina Dal Fabbro.Herman Charles Christ/Divulgação

Esse tipo de sistema é o mais escolhido para portas de abrir de grandes dimensões, tanto em altura quanto em largura, tendo sempre a escolha do pivô compatível ao peso da folha.

Como essa porta costuma ser feita sob medida é comum adotar folhas maiores e imponentes para a porta de entrada, embora nada impeça que seja também usada nos demais ambientes. Para as folhas maiores é fundamental verificar se existe espaço suficiente para sua abertura sem o comprometimento do layout.

Às vezes exagera-se na dimensão e a porta acaba por roubar uma grande parte da sala durante o uso, o que atrapalha a circulação e prejudica a distribuição dos móveis.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

No projeto acima, criamos um sistema com três portas pivotantes. O conjunto principal, com duas folhas, compõe o acesso ao apartamento e pode ser usado da maneira tradicional ou, através da abertura contrária, permitindo a integração total do hall social.

Uma terceira porta, de acesso ao lavabo, acaba por disfarçar e ao mesmo tempo englobar a porta do lavabo. Note que a existência do hall social permite abertura generosa sem comprometimento da ambientação.

2- Porta de correr aparente

Projeto do escritório Macro ArquitetosRenato Navarro/Casa.com.br

As portas de correr para separar ou integrar ambientes sempre foram usadas desde os projetos mais clássicos até os mais contemporâneos. Esse tipo de porta é disparada a melhor solução para quem busca integração ou funcionalidade, pois se adaptam a todo tipo de projeto e decoração, podendo ser dupla com abertura central ou grandes folhas únicas que correm para um dos lados.

Os modelos aparentes possuem a vantagem de ocupar pouco espaço e correr praticamente junto à parede, ou seja, durante o seu uso a área que ela ocupa é apenas a espessura da folha. Para projetos contemporâneos é comum adotar a folha dimensionada do piso ao teto.

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Quando isso acontece, além do visual limpo e impactante da dimensão da folha, tem-se também a vantagem de não se enxergar o sistema de trilho e roldanas que acaba sendo instalado acima do forro.

O dimensionamento das ferragens deve ser feito sempre a partir do peso da folha e esse cuidado garante o deslizamento perfeito como também o uso intenso sem requerer manutenção. Aqui no escritório é a porta mais usada, não só para integração de ambientes, mas também para halls de entrada já que é a que menos interfere na ambientação do layout.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

No projeto deste apartamento optamos por esse modelo uma vez que tínhamos em um dos lados espaço suficiente para abrigar toda a extensão da folha e também para o máximo aproveitamento do living. Uma porta pivotante, nesse caso, avançaria na área do living.

3- Porta de correr embutida

As portas de correr embutidas são chamadas assim, pois quando abertas conseguem desaparecer completamente já que nessa situação ficam armazenadas em um túnel. Tradicionalmente costumava-se fazer esse embutimento da folha na própria alvenaria, mas para ganhar espaço é muito comum fazer o fechamento do túnel em marcenaria.

No final dos anos 1990 essas portas começaram a ser aprimoradas em função da melhora das ferragens e as portas ganharam mais altura passando também em projetos mais contemporâneos a ter toda a ferragem embutida acima do forro.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Ainda assim, toma-se o cuidado para em portas maiores executar a folha oca pelo lado interno com estrutura em metal para evitar o empenamento. O intuito é sempre aliviar o peso para deixar o “arranque” mais leve.

Aqui no escritório já executamos portas de correr embutidas com até 3.50m de comprimento, porém nesse caso deve-se tomar mais cuidado para evitar que a roldana passe pela emenda do trilho, já que eles costumam ter 6m de comprimento.

Como a porta trabalha suspensa deve se ter cuidado redobrado para fixação do trilho na laje ou na construção de uma verga eventual de sustentação de todo o conjunto.

4- Porta camarão

Destaque do apartamento, a porta-camarão de freijó substituiu a parede entre quarto e sala. “Esse tipo de fechamento possibilita a máxima abertura do vão, ocupando pouco espaço quando recolhido”, afirma a arquiteta Aline D’Avola, que assina a reforma. Na parte fixa (à esq.), esconde-se o lavabo.Foto: Maíra Acayaba/Casa.com.br

Quando queremos a integração total de um ambiente e não temos área nas laterais para a execução de uma porta de correr simples ou dupla, costumamos recorrer a este modelo de porta. Este é o único modelo onde as folhas, independente da quantidade ou sentido, podem ser dobradas e armazenadas nas laterais.

Do ponto de vista funcional, a integração pode ser total ou parcial conforme o posicionamento das folhas. Pelo lado estético, muitos gostam do visual que lembra um biombo e, às vezes, costumam usar as folhas inclinadas para evidenciar este desenho.

Projeto de Marina Carvalho.Evelyn Müller/Casa.com.br

Muito usadas em outras épocas, mas com ferragens mais simples, este tipo de porta para muitos é sinônimo de “emperramento” e difícil manuseio. No entanto, atualmente com o aprimoramento do trilho superior e também das dobradiças que existem entre as folhas, o bom funcionamento é garantido.

Além do cuidado do dimensionamento das ferragens em função do peso das folhas, vale lembrar que este modelo de porta tem sempre maior custo quando comparada às demais aqui citadas. Isso acontece tanto pelo apuro técnico, já que o ajuste e a regulagem é um processo demorado e preciso, tomando mais tempo na execução, como também pela utilização de ferragens específicas como as dobradiças invisíveis comumente usadas.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

No apartamento acima, a porta camarão foi projetada com seis folhas e abertura central para integrar ou não um Home Theater ao restante da área social. Para esta, foram previstas ainda vedações verticais, tratamento interno acústico com lã de rocha e ímãs que auxiliam no fechamento total das folhas. Com quase três metros, o conjunto apesar de desafiador teve um resultado tanto em beleza, quanto em funcionamento acima do esperado.

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