Antes de se tornar uma possibilidade recorrente nos projetos, a porta de correr já fazia parte das alternativas arquitetônicas que adaptavam os espaços de acordo com a necessidade.

Na arquitetura japonesa, as fusumas assumiram, durante séculos, a função de separar ambientes sem constituir uma divisão permanente por meio de painéis que podiam ser deslocados para alterar a configuração dos cômodos. Exemplares de portas deslizantes japonesas dos séculos XVI e XVII mostram como o sistema também ganhou função estética, com superfícies decoradas que participavam da composição dos interiores.

Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Mulher de macacão azul abrindo porta de correr de madeira que revela cozinha moderna. À frente, mesa de jantar branca com cadeiras cinzas e vasos de plantas. À direita, balcão cinza com prateleira de madeira e utensílios
A porta de correr assume diferentes funções, como nesta solução engendrada pela arquiteta Isabella Nalon. No projeto, sua implementação permite controlar a conexão entre a cozinha e a sala de almoço sem comprometer a circulação.Julia Herman/Divulgação

Hoje, a lógica permanece, porém com materiais, ferragens e possibilidades de instalação muito diferentes. Nos projetos residenciais, a porta de correr se destaca, sobretudo, quando a circulação precisa ser preservada ou quando o ambiente tem dimensões reduzidas. “Elas são as melhores opções para essas situações”, explica a arquiteta Isabella Nalon, que aponta a economia de espaço como uma das principais vantagens do recurso.

Menos área ocupada na circulação

Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Mulher loira de macacão estampado preto e branco, sorrindo, abrindo uma porta de vidro fosco que separa a sala de jantar da cozinha. A sala tem uma mesa preta com cadeiras estofadas em rosa claro, e a cozinha, ao fundo, é branca com bancada de mármore
De vidro, esta porta de correr separa a sala de jantar dos demais ambientes e bloqueia a entrada de luz, na qual o material é pintado e colado sobre um MDF laqueado da mesma cor, enquanto o sistema de trilhos reforça a leveza da medida adotada pela arquiteta Isabella Nalon.Julia Herman/Divulgação
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Ao contrário da porta convencional, que precisa de uma área livre para a movimentação da folha, a versão de correr se desloca paralelamente à parede. Essa característica libera a área diante do vão em salas pequenas e outros cômodos nos quais cada centímetro interfere no layout.

Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Mulher loira sorridente, vestindo um macacão estampado preto e branco, abre uma porta de correr de vidro fosco, revelando uma cozinha moderna. À esquerda, uma sala de jantar com mesa preta e cadeiras estofadas em bege.
Julia Herman/Divulgação

Porém, a proposta não depende apenas do tamanho do ambiente. É preciso considerar o espaço necessário para que a folha percorra seu trajeto, além da estrutura capaz de viabilizá-la. “Por isso, a definição da porta deve fazer parte do projeto desde as primeiras etapas, principalmente quando existe a intenção de embuti-la na parede”, comenta a arquiteta.

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Trilho aparente também pode fazer parte da estética

Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Varanda com porta de vidro sanfonada aberta, revelando um banco de madeira e metal, uma mesa lateral preta e uma poltrona com almofadas escuras. Um vaso de cerâmica grande e um pequeno estão no chão. Um tapete azul-acinzentado cobre o piso claro. Do lado de fora, um grande portão de ferro forjado preto, folhagens e uma árvore alta. Dentro, um vaso de cerâmica com uma planta de folhas verdes e claras sobre piso de madeira
Entre o living e a varanda, o trilho permanece aparente e acompanha a extensão do vão neste projeto da arquiteta Isabella Nalon.Julia Herman/Divulgação

O trilho deixou de ser necessariamente um elemento que precisa desaparecer. Quando permanece aparente, pode assumir um papel visual na composição e reforçar determinadas linguagens de interiores, especialmente aquelas que valorizam materiais e estruturas expostas. “O ambiente ganha uma aparência mais imponente”, observa Isabella, que considera uma saída bastante adequada para projetos de estilos rústico ou industrial.

Já os sistemas embutidos ocultam o sistema e fazem com que a folha praticamente desapareça quando aberta. Essa alternativa exige um planejamento minucioso da parede e da estrutura de instalação para criar uma superfície visualmente mais limpa e liberar completamente o vão quando a porta estiver recolhida.

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Fechamento de vidro e elemento vazado conectam sala ao jardim


Madeira, vidro, alumínio ou outros materiais?

Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Sala de jantar moderna com mesa retangular de tampo branco e base de madeira, cercada por dez cadeiras de madeira clara com estofamento branco. Um arranjo floral colorido decora o centro da mesa. Ao fundo, uma porta de correr ripada de madeira revela parte de uma cozinha branca. À direita, uma janela grande e plantas verdes em um aparador de madeira. Um lustre de design abstrato pende do teto. O piso é de porcelanato claro.
Para a arquiteta Isabella Nalon, a porta ripada de madeira propicia uma divisão mais marcada entre os ambientes, enquanto o vidro é conveniente quando o intuito é preservar luminosidade e a percepção de amplitude do ambiente.Julia Herman/Divulgação

De acordo com a profissional, não existe um material universalmente indicado e a definição deve seguir as características do projeto. Madeira, vidro, alumínio e PVC assumem funções e linguagens diferentes – desde uma divisão mais sólida entre os cômodos até possibilidades que preservam a passagem de luz e a tão desejada amplitude.

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Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Sala de jantar e varanda gourmet integradas, com mesa redonda branca e cadeiras de madeira clara, maçãs verdes em um prato. Ao fundo, varanda com churrasqueira de tijolinhos, balcão de madeira e plantas em vasos. Uma porta de vidro com cortina branca separa os ambientes
Julia Herman/Divulgação

A materialidade também interfere no peso da folha e, consequentemente, na especificação das ferragens e do sistema de deslizamento. Por isso, a escolha do acabamento precisa estar associada à estrutura que sustentará a porta, especialmente em modelos maiores ou com materiais mais robustos.

Onde a porta de correr encontra seus limites

Portas de correr: arquiteta elenca vantagens, onde utilizar e principais materiais. Projeto de Isabella Nalon. Na foto, Sala de estar e escritório integrados com sofá marrom, almofadas claras, manta bege, duas mesas de cabeceira brancas, e duas telas abstratas com dourado na parede. À direita, mesa de madeira com notebook, cadeira de escritório preta e teclado musical ao fundo, em frente a uma parede de tijolinhos cinza
Transparência e privacidade convivem nesta solução executada pela arquiteta Isabella Nalon para isolar o home office sem romper a visão para os demais ambientes do projeto.Julia Herman/Divulgação
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Apesar da economia de espaço, ela não é indicada para todas as ocasiões. Cômodos que demandam abertura e fechamento rápidos tendem a se beneficiar com as portas convencionais, já que o deslocamento lateral tende a ser mais lento.

O isolamento também merece atenção e, de acordo com a arquiteta, o sistema de correr prejudica as questões termoacústicas do projeto. “A questão ganha relevância em ambientes que dependem de privacidade sonora ou de maior controle térmico, pois os vãos formados entre as folhas interferem nas performances esperadas”, alega a profissional.

Manutenção depende da qualidade do material e do trilho

A conservação varia de acordo com o material utilizado e a orientação de Isabella é a de evitar produtos abrasivos e realizar a limpeza conforme as especificidades de cada acabamento. Nas portas de madeira, ela sugere uma nova pintura a cada cinco anos.

A atenção ao trilho também faz parte da rotina de conservação, evitando o acúmulo de sujidades que prejudicam o deslocamento da folha e comprometem o funcionamento do sistema ao longo do tempo.

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