Invenção brasileira criada há quase um século, o cobogó continua ocupando espaço na arquitetura contemporânea. Presente em fachadas, muros, jardins e até como divisória de interiores, esse elemento vazado se destaca pela capacidade de unir conforto e funcionalidade.

Com novas formas, materiais e acabamentos, suas possibilidades de uso se multiplicaram, mas quem pensa que sua função se limita ao aspecto estético acaba deixando de lado justamente aquilo que faz do cobogó um elemento tão importante para a arquitetura.

“Controlar a entrada de luz, favorecer a ventilação natural e proporcionar mais privacidade sem isolar completamente os espaços estão entre os principais atributos desse elemento”, esclarece o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier que leva o mesmo nome.

Porém, antes de tudo, o profissional deixa claro que o sucesso da utilização está em entender a função que o cobogó desempenhará dentro do projeto. A partir dessa resposta, fica mais fácil escolher a peça que melhor atende às necessidades de cada ambiente.

Entenda primeiro o que você precisa

Cozinha com parede para lado externo vazada por cobogós.
Projeto de Coda Arquitetos.Joana França/Coda Arquitetos/Landhi/Reprodução
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Antes de qualquer coisa, Paulo Tripoloni coloca uma pergunta simples no jogo: qual será a função do cobogó naquele espaço?

Em alguns projetos, ele serve para controlar a incidência solar, em outros, melhora a circulação de ar, garante mais privacidade ou permite que a iluminação natural alcance ambientes internos. Para o arquiteto, esse questionamento deve ser sempre o ponto de partida.

Passarela metálica preta leva a um escritório moderno com fachada de ripas de madeira, estante branca com livros e planta pendente, e uma cadeira azul visível
Nesta Casa de Vila, Paulo Tripoloni combinou brises e cobogós para atender necessidades distintas do projeto. Enquanto os brises auxiliam no controle da incidência solar, os cobogós criam uma divisória que preserva a privacidade entre os imóveis sem bloquear completamente a entrada de luz e a circulação de ar | Projeto Atelier Paulo Tripoloni.Adriano Escanhuela/Divulgação
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Nem sempre, porém, o cobogó é a solução mais indicada para controlar a incidência solar. Paulo explica que, quando esse é o objetivo principal do projeto, costuma especificar brises, que oferecem um bloqueio mais eficiente da radiação direta. Já o cobogó se destaca por combinar proteção solar, permeabilidade visual e identidade arquitetônica.

Fechamento de vidro e elemento vazado conectam sala ao jardim


Modelos disponíveis

Apartamento Estoril, em Portugal, ganha décor com brasilidade. Projeto de Andrea Chicharo. Na foto, sala de jantar, cobogó, cadeiras brancas.
Projeto de Andrea Chicharo.Gui Morelli/Divulgação
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Os primeiros cobogós ficaram conhecidos pelos desenhos geométricos repetitivos, mas o mercado evoluiu e hoje oferece uma enorme variedade de formas, texturas e tecnologias de fabricação. Existem modelos orgânicos, peças produzidas por impressão 3D e releituras assinadas por designers, ampliando as possibilidades de composição em projetos dos mais diversos estilos.

Área externa com sofá bege, mesa de centro preta com livro e planta, pufe de palha, poltrona redonda de corda com almofadas e manta. O espaço tem paredes brancas, uma parede de blocos vazados, porta preta e teto de madeira com luzes penduradas
Versátil, o cobogó pode ser utilizado em jardins e varandas, como neste projeto que ainda serve de entrada de luz e ventilação nos corredores desta casa | Projeto Atelier Paulo Tripoloni.JP Image/Divulgação

Embora as novas tecnologias ampliem as possibilidades de projeto, Paulo ressalta que a evolução do cobogó deve caminhar junto com sua função arquitetônica. “Os modelos clássicos partem de geometrias simples e repetição modular. Já as novas propostas exploram desenho paramétrico, impressão 3D e novos materiais, ampliando possibilidades formais desde que não se perca a função original do elemento”, conta.

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Cozinha pequena; mesa para refeições rápidas com cobogós vermelhos.
Projeto de PB Arquitetura.Henrique Ribeiro/Divulgação

Essa liberdade criativa também permite incorporar modelos retrô em projetos contemporâneos. “Quando bem inserido e alinhado ao conceito do projeto, o contraste entre o retrô e o contemporâneo pode enriquecer a linguagem arquitetônica”, comenta ele.

Sala de estar neutra com sofá cinza claro e parede de cobogós.
Projeto de Fernanda Medeiros.Luiza Schreier/Casa.com.br
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Na mesma linha, a escolha entre desenhos mais orgânicos ou geométricos não deve acontecer de forma isolada. Para ele, o cobogó não deve ser um elemento independente dentro da casa e a escolha deve acompanhar a linguagem da arquitetura como um todo e fazer parte de uma composição coerente.

Material e acabamento: o que muda?

Projeto de Lívia Ornellas. Na foto, cozinha com cobogós laranjas, ladrilhos laranjas, marcenaria e bancada branca.
Projeto de Lívia Ornellas.Re Freitas/Casa.com.br

Além da aparência, o material escolhido interfere na textura da peça, na manutenção e até na percepção visual do ambiente. Na hora de escolher, vale considerar:

  • Cimentício: apresenta acabamento mais uniforme e controlado, ideal para projetos com linguagem mais refinada;
  • Concreto mais poroso: possui textura mais bruta e irregular, bastante valorizada em propostas contemporâneas e industriais;
  • Peças esmaltadas: absorvem menos sujeira, facilitam a limpeza e oferecem maior durabilidade, principalmente em áreas externas.
Sala de estar moderna com sofá cinza em L, manta verde-oliva e almofada azul e branca. Uma TV preta está na parede acima de um rack verde com portas de armário e objetos decorativos. À direita, três banquetas altas verdes com assento de tiras. Uma grande planta verde está entre o sofá e o rack. O chão tem um tapete cinza com padrão geométrico. Uma parede de blocos de vidro translúcidos ilumina o ambiente
Nesta sala de TV, os cobogós encaixilhados permitem uma entrada de luz em abundância | Projeto Atelier Paulo Tripoloni.JP Image/Divulgação

“O cimentício tende a ter acabamento mais uniforme e controlado, enquanto o concreto mais poroso apresenta textura mais bruta e irregular. A escolha depende da intenção do projeto, mais refinada ou mais expressiva. Já as peças esmaltadas facilitam a limpeza, apresentam maior durabilidade e menor absorção de sujeira, reduzindo a necessidade de manutenção ao longo do tempo”, complementa Paulo Tripoloni.

Muxarabis e cobogós: veja projetos com esses tipos de divisórias vazadas. Projeto de Pietro Terlizzi. Na foto, cozinha com cobogó.
Projeto de Pietro Terlizzi.Guilherme Pucci/Casa.com.br

Vazado ou fechado?

Outra dúvida bastante comum é sobre o nível de abertura ideal das peças, para essa resposta, o arquiteto acredita que depende das características de cada ambiente e dos resultados esperados. De forma geral:

  • Mais vazados: favorecem a ventilação e permitem maior entrada de luz natural.
  • Mais fechados: oferecem maior controle da incidência solar e aumentam a privacidade.
Apê de 36 m² tem lavanderia, home office e banheiro com chuveiro duplo. Projeto Loft 7 Arquitetura. Na foto, sala com parede de cobogós.
Projeto Loft 7 Arquitetura.Divulgação/Casa.com.br

Além do grau de abertura, a posição onde o cobogó será instalado também influencia seu desempenho. Fachadas com maior incidência de sol exigem estudos específicos para garantir conforto térmico ao longo do dia. “Não se trata de melhor ou pior, mas de adequação. Elementos mais vazados favorecem ventilação e luz, enquanto modelos mais fechados oferecem maior controle solar e privacidade. A escolha depende das condições do projeto”, entende.

Fachada de cobogós cria efeito cênico nesta casa no interior de São Paulo. Projeto de Starq, Na foto, corredor de cobogós.
Projeto de Starq.Maíra Acayaba/Casa.com.br

Quando o assunto é conforto térmico, Paulo explica que o desempenho do recurso depende menos da peça em si e mais da forma como ela é inserida na arquitetura. Questões como orientação solar, afastamentos entre construções, ventilação predominante e posicionamento da fachada têm impacto direto no resultado final.

“O cobogó funciona como mediador climático, e seu desempenho depende do conjunto”, acrescenta.

Sobrado de 100 m² ganha solarium e décor que é mix de rústico e retrô. Projeto de Palladino Arquitetura. Na foto, banheiro, parede de cobogós verdes.
Projeto de Palladino Arquitetura.Henrique Ribeiro, da Photuns/Casa.com.br
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