Invenção brasileira criada há quase um século, o cobogó continua ocupando espaço na arquitetura contemporânea. Presente em fachadas, muros, jardins e até como divisória de interiores, esse elemento vazado se destaca pela capacidade de unir conforto e funcionalidade.
Com novas formas, materiais e acabamentos, suas possibilidades de uso se multiplicaram, mas quem pensa que sua função se limita ao aspecto estético acaba deixando de lado justamente aquilo que faz do cobogó um elemento tão importante para a arquitetura.
“Controlar a entrada de luz, favorecer a ventilação natural e proporcionar mais privacidade sem isolar completamente os espaços estão entre os principais atributos desse elemento”, esclarece o arquiteto Paulo Tripoloni, à frente do Atelier que leva o mesmo nome.
Porém, antes de tudo, o profissional deixa claro que o sucesso da utilização está em entender a função que o cobogó desempenhará dentro do projeto. A partir dessa resposta, fica mais fácil escolher a peça que melhor atende às necessidades de cada ambiente.
Entenda primeiro o que você precisa

Antes de qualquer coisa, Paulo Tripoloni coloca uma pergunta simples no jogo: qual será a função do cobogó naquele espaço?
Em alguns projetos, ele serve para controlar a incidência solar, em outros, melhora a circulação de ar, garante mais privacidade ou permite que a iluminação natural alcance ambientes internos. Para o arquiteto, esse questionamento deve ser sempre o ponto de partida.

Nem sempre, porém, o cobogó é a solução mais indicada para controlar a incidência solar. Paulo explica que, quando esse é o objetivo principal do projeto, costuma especificar brises, que oferecem um bloqueio mais eficiente da radiação direta. Já o cobogó se destaca por combinar proteção solar, permeabilidade visual e identidade arquitetônica.
Modelos disponíveis

Os primeiros cobogós ficaram conhecidos pelos desenhos geométricos repetitivos, mas o mercado evoluiu e hoje oferece uma enorme variedade de formas, texturas e tecnologias de fabricação. Existem modelos orgânicos, peças produzidas por impressão 3D e releituras assinadas por designers, ampliando as possibilidades de composição em projetos dos mais diversos estilos.

Embora as novas tecnologias ampliem as possibilidades de projeto, Paulo ressalta que a evolução do cobogó deve caminhar junto com sua função arquitetônica. “Os modelos clássicos partem de geometrias simples e repetição modular. Já as novas propostas exploram desenho paramétrico, impressão 3D e novos materiais, ampliando possibilidades formais desde que não se perca a função original do elemento”, conta.

Essa liberdade criativa também permite incorporar modelos retrô em projetos contemporâneos. “Quando bem inserido e alinhado ao conceito do projeto, o contraste entre o retrô e o contemporâneo pode enriquecer a linguagem arquitetônica”, comenta ele.

Na mesma linha, a escolha entre desenhos mais orgânicos ou geométricos não deve acontecer de forma isolada. Para ele, o cobogó não deve ser um elemento independente dentro da casa e a escolha deve acompanhar a linguagem da arquitetura como um todo e fazer parte de uma composição coerente.
Material e acabamento: o que muda?

Além da aparência, o material escolhido interfere na textura da peça, na manutenção e até na percepção visual do ambiente. Na hora de escolher, vale considerar:
- Cimentício: apresenta acabamento mais uniforme e controlado, ideal para projetos com linguagem mais refinada;
- Concreto mais poroso: possui textura mais bruta e irregular, bastante valorizada em propostas contemporâneas e industriais;
- Peças esmaltadas: absorvem menos sujeira, facilitam a limpeza e oferecem maior durabilidade, principalmente em áreas externas.

“O cimentício tende a ter acabamento mais uniforme e controlado, enquanto o concreto mais poroso apresenta textura mais bruta e irregular. A escolha depende da intenção do projeto, mais refinada ou mais expressiva. Já as peças esmaltadas facilitam a limpeza, apresentam maior durabilidade e menor absorção de sujeira, reduzindo a necessidade de manutenção ao longo do tempo”, complementa Paulo Tripoloni.

Vazado ou fechado?
Outra dúvida bastante comum é sobre o nível de abertura ideal das peças, para essa resposta, o arquiteto acredita que depende das características de cada ambiente e dos resultados esperados. De forma geral:
- Mais vazados: favorecem a ventilação e permitem maior entrada de luz natural.
- Mais fechados: oferecem maior controle da incidência solar e aumentam a privacidade.

Além do grau de abertura, a posição onde o cobogó será instalado também influencia seu desempenho. Fachadas com maior incidência de sol exigem estudos específicos para garantir conforto térmico ao longo do dia. “Não se trata de melhor ou pior, mas de adequação. Elementos mais vazados favorecem ventilação e luz, enquanto modelos mais fechados oferecem maior controle solar e privacidade. A escolha depende das condições do projeto”, entende.

Quando o assunto é conforto térmico, Paulo explica que o desempenho do recurso depende menos da peça em si e mais da forma como ela é inserida na arquitetura. Questões como orientação solar, afastamentos entre construções, ventilação predominante e posicionamento da fachada têm impacto direto no resultado final.
“O cobogó funciona como mediador climático, e seu desempenho depende do conjunto”, acrescenta.














































