Implantada em um terreno de 987,5 m² em Ribeirão Preto (SP), esta residência de 640 m² foi concebida pelo arquiteto Pedro Laterza, do Studio Memo Arquitetura, com interiores assinados por Jader Almeida. O casal de moradores, sócio de uma das lojas na cidade que leva o nome do designer, já possuía o lote — plano, de esquina e localizado em um condomínio de alto padrão — havia algum tempo, com a intenção de construir ali a casa definitiva. A presença de edifícios residenciais altos no entorno foi determinante para as estratégias do projeto, especialmente no controle de privacidade e na relação com a paisagem.

O conceito do projeto nasceu de uma releitura contemporânea de princípios modernistas da década de 1930, organizando a casa em dois blocos — social e íntimo — articulados em meios níveis.

A circulação se dá exclusivamente por rampas, que conduzem o percurso de forma contínua até o terraço-jardim e configurando um trajeto fluido, no qual os espaços se revelam gradualmente.

Ao todo, a residência se distribui em quatro níveis principais, além de dois pavimentos técnicos, e se estrutura em torno de um jardim central que, ao mesmo tempo, integra visualmente os ambientes e estabelece uma separação sutil entre os setores.

No bloco social, o térreo reúne hall de entrada com chapelaria, lavabo, sala de estar integrada à cozinha e conexões funcionais com a área de serviço.
Em um nível superior, um ambiente multifuncional concentra sala íntima com TV e escritório, além do acesso ao solário.

Já o bloco íntimo abriga, em um pavimento inferior, a academia com apoio, garagem e acessos técnicos, enquanto o nível acima concentra a suíte principal — composta por closet e banheiro com lavatório externo, box com banheira e sanitário separados — e duas suítes espelhadas, organizadas ao longo de um corredor com áreas de armazenamento.


Externamente, a casa se articula em três frentes principais: o jardim central, que estrutura a dinâmica espacial; a área de estar ao fundo do terreno; e o deck da piscina, que atravessa os ambientes e conecta diferentes níveis, incluindo o subsolo.

A implantação também responde à orientação solar: a piscina foi posicionada para receber maior incidência de luz ao longo do dia, enquanto os dormitórios se voltam para o nascente, favorecendo o conforto térmico e a entrada do sol da manhã.

Executada em concreto moldado in loco, a residência se destaca pela solução estrutural que integra vigas e beirais em um único elemento em “L”, permitindo a fixação de uma segunda pele metálica que envolve todo o volume. Esse sistema, além de conferir unidade estética e caráter escultórico à construção, contribui para o desempenho térmico e acústico, ao mesmo tempo em que reforça a privacidade. Internamente, grandes aberturas emolduram o jardim e garantem luminosidade, equilibrando transparência e resguardo.

A materialidade reforça a linguagem contemporânea do projeto. O concreto aparente — inclusive em versões ripadas — dialoga com superfícies brancas, painéis de madeira e uma base de revestimentos bem definida.

O porcelanato foi aplicado nas áreas sociais, externas e de apoio, garantindo continuidade visual entre os ambientes, enquanto a área íntima recebeu piso de madeira natural, que traz mais aconchego aos espaços. O pé-direito de 6,15 metros no ponto mais alto da área social amplia a sensação de escala e espacialidade.

A decoração privilegia peças de Jader Almeida, estabelecendo continuidade entre arquitetura e interiores. Elementos como a luminária Spin sobre a mesa de jantar, o sofá Box, a mesa de centro Roots e a poltrona Wing, além de itens presentes nas áreas externas, reforçam a unidade visual do projeto.

Com linguagem contemporânea, bruta e escultórica, o projeto levou cerca de três anos entre concepção, aprovação e execução. Entre os principais desafios, estiveram a complexidade técnica decorrente da organização em meios-níveis e a adoção de soluções construtivas mais sofisticadas, como o uso extensivo de painéis metálicos e elementos curvos em pontos específicos.

Soma-se a isso o caráter singular da obra: idealizada pelo próprio filho da proprietária ainda no fim da faculdade, a casa sintetiza não apenas um exercício arquitetônico consistente, mas também uma experiência marcada por experimentação, aprendizado e colaboração entre todos os envolvidos.













































