Localizada em um condomínio fechado em Araras, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, esta casa de campo de 1.300 m² foi concebida para estabelecer uma relação direta e contínua com a paisagem natural ao redor.

A arquitetura privilegia grandes vãos livres, amplas esquadrias com abertura total e o uso predominante de materiais naturais, como madeira e pedra, que diluem os limites entre interior e exterior e conferem à residência uma atmosfera acolhedora e atemporal.

O desejo dos proprietários por uma casa essencialmente térrea orientou o partido arquitetônico, resultando em volumes que se fragmentam suavemente pelo terreno e evocam a sensação de bangalôs independentes.

Assinado pelas arquitetas Carolina Escada e Patrícia Landau, à frente do escritório Escala Arquitetura, o projeto foi desenvolvido para o casal Simone Rodrigues — engenheira e proprietária da S. Rodrigues Engenharia —, seu marido e filha adolescente.

Implantada em um terreno estreito e com forte declividade, a residência foi construída do zero ao longo de quatro anos, entre concepção, aprovações, obra e finalização da decoração. A topografia desafiadora foi determinante para a organização do programa arquitetônico, que se estrutura de forma modular e contemporânea em três edificações independentes, conectadas por amplos corredores.

O primeiro módulo abriga sala de TV, cozinha e área de serviço; o segundo reúne os espaços de convivência, com estar e jantar integrados à varanda com churrasqueira; e o terceiro concentra a ala íntima, formada por seis suítes que reforçam a leitura de volumes autônomos.


O declive do lote permitiu ainda a criação de um nível inferior dedicado ao lazer e ao bem-estar, onde se distribuem sala com bar, academia, sauna, ofurô e uma capela.

Já a implantação da casa deu origem a uma ampla laje gramada, solução que otimiza o aproveitamento do terreno íngreme e cria uma área externa generosa, marcada pela piscina de desenho orgânico e borda infinita, posicionada como um mirante para a paisagem serrana e em relação direta com os ambientes de convivência.

O conceito do projeto se ancora na criação de espaços acolhedores, característica essencial a uma casa de campo, traduzida pelo uso consistente de materiais naturais. Madeira e pedra aparecem nos revestimentos, no mobiliário e nas marcenarias desenhadas sob medida, executadas em peroba-mica e peroba-do-campo.

O forro ripado em madeira cumaru, os pisos de madeira de demolição na ala íntima, o granito rústico nas áreas molhadas, o caco de pedra São Tomé nas áreas internas de convivência e externas, além da pedra madeira em algumas paredes, reforçam o caráter rústico-contemporâneo da residência.

A paleta cromática acompanha essa mesma lógica, com base em tons naturais e sutis acentos terrosos de verde, mostarda e terracota. A identidade brasileira do projeto se completa na curadoria do mobiliário, que mescla peças assinadas por nomes consagrados do design nacional — como Bernardo Figueiredo, Jorge Zalszupin, Jean Gillon e Aristeu Pires — com móveis garimpados, itens de demolição, peças vintage e objetos trazidos de viagens pela moradora.

“O maior desafio deste projeto foi o terreno estreito e com acentuada declividade, que demandou soluções estruturais ousadas para viabilizar a proposta de uma casa com sensação de linearidade”, finaliza a arquiteta Patrícia Landau.













































