Localizada em Botafogo, na Zona Sul do Rio, esta cobertura duplex de 166 m² passou por uma reforma completa assinada pela arquiteta Amanda Soriano, do escritório Soriano Experimental, em parceria com a arquiteta Nathalia Blayer, do escritório Nena Arquitetura.
O imóvel foi adquirido por um casal de aposentados que vive com a filha. O filho, que já mora sozinho, mantém um quarto na residência para visitas ocasionais.

Como a intenção era que esta fosse a última mudança do casal, a reforma contemplou uma revisão completa dos ambientes. A principal referência para o projeto veio da casa de serra da família, traduzida por meio do uso de materiais naturais, tons terrosos e soluções que buscassem aproximar o apartamento de uma atmosfera residencial mais acolhedora.
Os clientes também solicitaram dormitórios confortáveis para os filhos e espaços que favorecessem a convivência cotidiana.

As principais alterações na planta concentraram-se na reorganização do pavimento superior e na ampliação da cozinha. Parte da área antes ocupada pelo depósito foi incorporada ao ambiente, tornando-o mais funcional.

Já o acesso ao quarto da filha, anteriormente localizado em frente à escada, passou a contar com uma circulação mais reservada. Após a reforma, o pavimento inferior passou a reunir área social integrada ao home office, lavabo, suíte do filho, cozinha conectada à lavanderia, depósito e banheiro de serviço. No andar superior ficaram a suíte do casal, o quarto da filha, banheiro, copa e terraço.

A decoração seguiu uma linguagem contemporânea brasileira. Apenas o sofá da sala e uma poltrona verde já pertenciam aos moradores; todos os demais móveis e objetos foram adquiridos durante a obra. A seleção privilegiou peças de desenho simples e atemporal, compatíveis com o orçamento disponível e capazes de dialogar entre si ao longo do tempo.

A paleta cromática tem o terracota como elemento predominante, presente em portas, esquadrias, no piso da área externa e em parte do mobiliário. O verde aparece pontualmente na cozinha, no lavabo e na poltrona de leitura da sala.
Entre os elementos preservados está o piso original de taco de peroba-do-campo do living, encontrado sob um laminado deteriorado e posteriormente restaurado.

No espaço social, a escada ganhou novo protagonismo ao ser incorporada ao desenho da marcenaria, funcionando também como área de armazenamento.

O home office, integrado à sala, pode ser isolado por meio de uma porta de serralheria, permitindo diferentes configurações de uso.

Outro ambiente valorizado foi o canto de leitura, criado para momentos de descanso e convivência com o cachorro da família.

Na cozinha, os moradores solicitaram uma bancada clara, executada em quartzito Magblanc, da Magban. Recursos como escorredor embutido e filtro de água oculto nos armários contribuíram para manter a organização visual do ambiente.

Já a península se consolidou como principal ponto de encontro da casa, especialmente durante o café da manhã.

Na suíte do casal, a marcenaria em muxarabi passou a abrigar a televisão, permitindo a criação de uma circulação que não interfere na visualização do equipamento.

O ambiente também recebeu uma pequena estação de trabalho destinada a tarefas rápidas do dia a dia.
A área externa do pavimento superior reforça a conexão afetiva com a casa de serra da família ao reproduzir o mesmo piso utilizado no imóvel. Vasos de barro complementam a composição e dialogam com os tons presentes em todo o projeto.

Nesse mesmo andar, uma copa foi criada para oferecer mais autonomia aos moradores durante a noite e servir de apoio para encontros com amigos.

“O maior desafio deste projeto foi criar uma cozinha extremamente aconchegante, quase como uma sala de estar, mas sem integrá-la diretamente ao living. A criação da península voltada para a entrada da cozinha foi fundamental para estimular a convivência nesse espaço”, revela a arquiteta Amanda Soriano. Entre projeto, obra e finalização da decoração, o processo teve duração total de 12 meses.












































