Localizado no Edifício JK, em Belo Horizonte (MG), este apartamento linear de 80 m² passou por uma reforma completa assinada pelo escritório Piacesi Arquitetura.

Projetado em 1951 por Oscar Niemeyer e situado na Avenida do Contorno, no bairro Santo Agostinho, o prédio é considerado um dos marcos da arquitetura moderna na capital mineira. O edifício simboliza a chegada do modernismo à cidade, antes mesmo da consolidação desse movimento com a construção de Brasília.

O imóvel foi adquirido por um casal de médicas que vive em Salvador e buscava um endereço acolhedor e bem localizado em Belo Horizonte. O projeto foi encomendado logo após a compra do apartamento. As moradoras já conheciam o trabalho do arquiteto Júnior Piacesi e haviam desenvolvido projetos anteriores com ele, o que facilitou a definição de diretrizes como a integração quase total dos ambientes — preservando apenas a privacidade da suíte do casal — e uma atmosfera com bossa e personalidade, em sintonia com o caráter modernista do edifício.

A planta original foi redesenhada para favorecer amplitude e fluidez. Um dos quartos foi eliminado para dar lugar a uma sala de TV conectada à área social, enquanto cozinha e área de serviço passaram a se comunicar diretamente com os espaços de estar e jantar.

“A reforma removeu praticamente todas as divisórias internas, mantendo apenas a estrutura original do edifício”, diz Piacesi. Após as intervenções, o apartamento passou a contar com cozinha, área de serviço e ambientes de estar, jantar e TV integrados, além de lavabo e suíte do casal.
A integração dos espaços foi o ponto de partida do conceito, pensado para tornar o apartamento mais iluminado, ventilado e contínuo. Na estética, as moradoras buscavam uma atmosfera de brasilidade, evocando referências da Bahia sem abrir mão de um certo minimalismo.

A paleta reúne tons terrosos presentes na madeira do piso original em taco, nas banquetas, banquinhos, poltronas e objetos, combinados a estofamentos em couro marrom e nuances de verde.

O conjunto é equilibrado pelo cinza das vigas e pilares aparentes, do cimento queimado da cozinha, da cuba do lavabo, da bancada de refeições em aço inox, dos revestimentos do banheiro da suíte e do armário da sala, que reúne funções de rouparia e louceiro.

“A proposta foi criar um refúgio urbano no qual elementos naturais dialogam com gestos mais brutalistas, como a estrutura em concreto aparente em contraste com o aço inox da bancada de refeições”, explica o arquiteto.
Na decoração, algumas peças pertenciam ao acervo das clientes e foram incorporadas ao projeto, como as cadeiras da mesa de jantar, o sofá da área de TV e as luminárias pendentes lineares da área social. Os demais móveis e objetos foram selecionados de acordo com as especificações definidas pelo escritório.

Entre os destaques estão o lavabo concebido como uma “caixa” verde — com paredes, teto e porta no mesmo tom —, a bancada de refeições em aço inox engastada na ilha da cozinha e a mesa de centro redonda desenhada pelo escritório e executada em mármore travertino, que também funciona como cooler.

Chamam atenção ainda o hall de acesso ao quarto, pintado no mesmo verde do acabamento do armário para reforçar o efeito de caixa, e o azulejo de estampa geométrica modernista na parede de fundo da cozinha, responsável por introduzir cor, ritmo e um toque poético ao ambiente.

Entre elaboração, aprovação e execução da obra — incluindo a finalização da decoração — o processo durou cerca de um ano e meio. Segundo o arquiteto, o maior desafio foi lidar com as particularidades da estrutura antiga do apartamento. “Durante a obra surgiram questões de infraestrutura que exigiram algumas adequações no projeto e na execução”, conclui Júnior Piacesi.













































