<span class=”hidden”>–</span>Divulgação/Casa.com.br

O Setembro Amarelo é uma campanha nacional que integra as ações globais de prevenção ao suicídio, ato que, entre outros fatores mentais e comportamentais, pode ser causado por transtornos psicológicos como ansiedade, depressão e insônia. Segundo a arquiteta e urbanista Priscilla Bencke, cofundadora da Academia Brasileira de Neurociência e Arquitetura (NEUROARQ® Academy), os ambientes físicos onde os indivíduos vivem e fazem suas principais atividades também podem influenciar nesses transtornos – inclusive, esse é o campo de atuação da empresa, especilizada na educação e formação de profissionais e na disseminação da neurociência aplicada à arquitetura, também conhecida como neuroarquitetura.

“Por meio da neurociência aplicada à arquitetura, buscamos contribuir na criação de ambientes mais saudáveis. Esses, por sua vez, podem incentivar hábitos e um estilo de vida mais positivo para que as pessoas não tenham intensificações de questões relacionadas a transtornos mentais e comportamentais”, explica Priscilla. Como os ambientes em que vivemos impacta na nossa saúde física e mental, é necessário criar projetos inteligentes que elevam a qualidade de vida de quem os ocupa.

Ambientes físicos x comportamento humano

 

<span class=”hidden”>–</span>Reprodução/Pinterest

“O ser humano é movido por relacionamentos e interação. Seja com as outras pessoas, ou os lugares onde exercemos nossas atividades. Neste sentido, essa interação com seu meio, e espaço em toda a sua constituição, fará parte da sua estruturação como sujeito, afetando sua saúde de maneira geral”, afirma a neuropsicóloga Cinara Soares, docente da NEUROARQ® Academy.

Para a arquiteta e cofundadora da empresa, Gabi Sartori, ao falar do impacto dos ambientes na saúde mental, é necessário avaliar as condições destes espaços de modo geral. Conforme a especialista, o ambiente, em especial, o residencial, nada mais é, senão um reflexo das pessoas que o ocupam. “A depender do momento de vida do indivíduo, dos pensamentos que ele tem e da forma como organiza seus pensamentos e mente, o espaço irá refletir quem nós realmente somos”, explica. De acordo com Gabi, a partir do momento em que as pessoas têm consciência do impacto dos ambientes em suas vidas, é possível utilizá-lo como instrumento para mudanças de comportamento.

Priscilla complementa dizendo que o ambiente físico, no entanto, não é capaz de resolver todos os problemas e questões de comportamento humano. “Existem infinitas variáveis que definem nosso comportamento, e o ambiente é apenas uma delas.”

Ambientes saudáveis

 

<span class=”hidden”>–</span>Future PLC/Colin Poole/Ideal Homes
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O professor canadense Tye Farrow, especialista em arquitetura para área da saúde, defende que não existe ambiente neutro. Para ele, os espaços sempre influenciam as pessoas que o ocupam positiva ou negativamente. Gabi defende que um exercício importante a se fazer é refletir sobre como os lugares ocupados podem interferir na saúde mental. “Devemos sempre nos questionar se eles reforçam hábitos não saudáveis”, observa.

A arquiteta afirma que o conceito se expande no âmbito corporativo, os espaços de uma empresa têm o poder de interferir tanto na saúde mental, como física dos colaboradores. “Seja a partir da ergonomia que utilizam no seu mobiliário, na iluminação correta que pode auxiliar no ciclo circadiano – que é a variação nas funções biológicas de diversos seres vivos, repetidas regularmente ao longo de 24 horas – e até na interação social desses seres.”

Para Priscilla, além de ações de bem-estar mental e apoio psicológico aos colaboradores, ambos consideravelmente importantes para o momento atual, as empresas deveriam investir na incorporação de intervenções em suas dependências físicas. “Quando falamos em desafios relacionados a problemas comportamentais e mentais dos colaboradores, que são pessoas únicas e diversas, devemos pensar que tanto as ações que envolvam a prevenção psicológica, quanto as intervenções nos ambientes físicos, têm seu peso e importância.”

Benefícios da neurociência aplicada à arquitetura

 

<span class=”hidden”>–</span>Juliano Colodeti, do MCA Estúdio | Produção visual: Andréa Falchi/Casa.com.br

Conforme Gabi, a “neuroarquitetura” pode melhorar sintomas de ansiedade, depressão e insônia, por meio de pontos de influência que demonstram como a natureza pode auxiliar no bem-estar. Além da natureza, a neurociência aplicada à arquitetura pode utilizar de técnicas que usam formas, cores e iluminação. “A influência positiva dos elementos naturais em nossas sensações e emoções é um tema constantemente estudado para auxiliar nos tratamentos desses transtornos”, reitera. Para a especialista, quanto mais os profissionais de arquitetura estudarem para quem estão projetando, com questionamentos como “quem são essas pessoas”, “do que elas sofrem” e “quais são as queixas e sintomas que elas têm”, mais será possível entender o que pode ser feito no ambiente para auxiliá-las numa melhoria.

“Enquanto os clientes se beneficiam de um projeto pensado para a fim de solucionar as suas questões pessoais e psicológicas, com elementos que impactem positivamente suas emoções e bem-estar, o arquiteto terá um briefing mais assertivo. Isso, consequentemente, reduzirá o número de revisões e readequações e, mais que isso, ele terá a satisfação de entregar àquela pessoa um projeto do qual ela se sente pertencente, incluída e abraçada a todo o momento, algo significativamente importante para a manutenção da saúde mental.”

Priscilla finaliza explicando que na prevenção de sintomas psicológicos, a neuroarquitetura pode agir de forma complementar. “É importante termos ciência que, apesar da importância do ambiente físico, ele não é capaz de sanar todas as questões do comportamento humano. Caso o indivíduo apresente quaisquer sintomas de ansiedade, estresse excessivo ou depressão, é importante buscar, o quanto antes, o apoio de um especialista que poderá auxiliá-lo no direcionamento para os melhores tratamentos.

 

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