A reforma desta casa de 640 m², distribuída em dois pavimentos e sótão, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, foi realizada para uma moradora que vive no imóvel com suas três filhas.

Assinado pelas arquitetas Adriana Valle e Patricia Carvalho, do escritório Migs Arquitetura, o projeto teve como ponto de partida o desejo da proprietária de adaptar a residência a uma nova fase de vida.

A casa já era ocupada pela família e foi completamente reformada para tornar os espaços mais integrados, funcionais e conectados às áreas externas, preservando, ao mesmo tempo, sua história.

Originalmente marcada por uma configuração clássica e compartimentada, a casa passou por uma reorganização espacial, especialmente nas áreas sociais. A principal intervenção consistiu na integração entre varanda, salas de estar, jantar e área externa, criando uma circulação mais fluida entre os ambientes internos e o jardim.

Concebida como uma extensão da casa, a área externa reúne piscina, espaços de estar, pátio gourmet e paisagismo, reforçando a continuidade entre interior e exterior. O antigo jardim contemplativo foi transformado em um pátio gourmet, que passou a funcionar como eixo de convivência da residência, articulando os ambientes sociais e favorecendo o uso cotidiano da família.

A preservação da memória do imóvel também orientou as decisões de projeto. Em vez de promover uma descaracterização completa da arquitetura existente, as profissionais optaram por restaurar e valorizar elementos originais, como a escada principal, incorporando-os à nova proposta arquitetônica.
A curadoria do mobiliário buscou reunir design brasileiro, peças garimpadas em antiquários e referências internacionais. No living destacam-se a mesa de centro Litoral, de Jacqueline Terpins, a poltrona PL13, de Percival Lafer, dois aparadores e um baú adquiridos no Arnaldo Danemberg

Antiquário e no AD Studio, além das poltronas Torii, da marca italiana Minotti. No escritório, a chaise com banqueta Pitu, de Aristeu Pires, divide espaço com o carrinho Resedá, criado pela Migs Design, braço de criação do escritório e vencedor do iF Design Award 2026. O ambiente também abriga um par de cadeiras Serbelloni, desenhadas por Vico Magistretti, pertencentes à coleção da cliente e restauradas durante a obra.

Na cozinha gourmet interna foram especificadas banquetas Omar, assinadas por Rejane Carvalho Leite, enquanto a suíte principal recebeu o banco Marina, de Lucas Bond.

O mobiliário externo é composto, em sua maior parte, por peças fornecidas pela Casual Móveis. Entre elas estão as poltronas Mbrace, assinadas por Sebastian Herkner para a Dedon; as cadeiras Kilt, de Marcello Ziliani; o sofá Nodi, criado pelo estúdio Yabu Pushelberg; o pufe Nido e as mesas de apoio Calatini e Strap, ambas de Paola Lenti. Na bancada gourmet foram utilizadas banquetas Tajá, de Sergio Rodrigues.

A mesa de jantar externa foi desenhada pelas arquitetas e executada pela Serpa Marcenaria. Já a área voltada para a piscina recebeu poltronas Cliff Living, dos designers Ludovica e Roberto Palomba, mesa de centro Baú Duty, da Novo Ambiente, além de um generoso banco de madeira com mesa lateral integrada, também desenhado pelo escritório.

A coleção de arte reúne trabalhos que já pertenciam à proprietária e outros adquiridos durante a reforma. Entre os artistas presentes estão Gabriela Machado, Vik Muniz, Alfredo Volpi, Carlito Carvalhosa, Cristina Canale, Maria Fernanda Lucena, Daniel Senise e Henrique Oliveira.

A materialidade do projeto privilegia madeira, pedra e fibras naturais, combinadas a uma base de tons neutros. Em diálogo com esses elementos, o paisagismo tropical assinado por Daniela Infante Paisagismo reforça a integração entre os ambientes internos e externos. A cor aparece de forma pontual, especialmente no tapete Orion Brick, da Phenicia, em tom terracota, que dialoga com as obras de arte, os objetos decorativos e o verde da área externa. Em todo o pavimento térreo, tanto nas áreas internas quanto externas, foi utilizado piso de mármore travertino. Nas áreas sociais e no escritório, as paredes receberam pintura na cor Papel Jornal, da Suvinil.
Entre a elaboração do projeto, sua aprovação, execução da obra e finalização da decoração, o processo durou quase três anos. Segundo a arquiteta Patricia Carvalho, o maior desafio foi transformar uma casa de linguagem clássica e compartimentada em uma residência mais integrada e contemporânea, preservando sua identidade.












































