Ao chegar em casa, é quase automático tirar os sapatos, deixar o guarda-chuva no canto ou encostar a bicicleta onde houver espaço. Porém, em apartamentos, especialmente os de metragem reduzida, esses hábitos muitas vezes ultrapassam os limites internos e transformam o hall de distribuição em uma extensão do imóvel.
“Por conta da confiança de que ninguém vai mexer, o morador se sente confortável em deixar do lado de fora aquilo que o pequeno hall de entrada não comporta”, discorre o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio.
Embora pareça uma solução prática, ocupar as áreas comuns do edifício com itens pessoais pode gerar problemas de segurança, descumprir normas condominiais e até comprometer as rotas de fuga.
Segundo o profissional, antes de pensar em aproveitar qualquer área fora do apartamento, é importante entender a função dela dentro do edifício. “Esse espaço integra a circulação do prédio. Por isso, é bastante comum que muitos condomínios não permitam o seu uso indevido como forma de preservar a rota de fuga prevista pelos bombeiros em caso de emergência”, ressalta.
Então, o que pode ficar no hall?

Além das normas internas de cada condomínio, o arquiteto lembra que qualquer elemento que reduza a circulação ou represente risco de quedas deve ser evitado. Sapatos, vasos, bicicletas e pequenos móveis podem parecer inofensivos, mas qualquer objeto pode dificultar uma evacuação ou provocar acidentes.
“Existem condomínios que permitem a inserção de uma peça decorativa, desde que não interfira na circulação, enquanto outros proíbem completamente qualquer coisa no piso”, alerta, complementando que é primordial consultar o regulamento para não infringir as regras internas ou as exigências listadas pelo Corpo de Bombeiros.
A união pode resolver problemas
Em alguns edifícios, adaptações realizadas em comum acordo entre os moradores podem liberar um espaço valioso nas unidades. Bruno cita experiências em que áreas pouco utilizadas da garagem foram transformadas em depósitos, bicicletários ou armários compartilhados.
“Quando a demanda é a mesma para todos os condôminos, vale levar essas propostas para a assembleia. É comum que exista um espaço ocioso que pode receber armários, suportes para bicicletas ou outras soluções que beneficiam mais de um morador e diminuem a quantidade de objetos dentro dos apartamentos”, compartilha.
Mas e quando falta espaço dentro de casa?

Se o objetivo é evitar que bolsas, casacos, calçados e outras peças fiquem espalhados pela casa, a resposta não está nas áreas comuns, mas sim em um bom planejamento interno.
O profissional explica que costuma conceber, logo na entrada de qualquer apartamento, incluindo os compactos, uma pequena estação de apoio que concentra tudo o que o morador precisa quando chega em casa. Para criar esse cantinho especial, ele dá algumas dicas:
Sapateira

Embora pareça um móvel simples, uma sapateira nunca é igual à outra e precisa ser pensada de acordo com o número de moradores, o tipo de calçados que usam e se há o costume de sentar-se ou não.
“A marcenaria precisa ser praticamente sob medida para o estilo de vida da família. Há clientes que preferem um banco para calçar os sapatos e há quem prefira aproveitar esse espaço para armazenar mais pares”, diz Bruno.
Quem usa principalmente tênis e sapatilhas consegue aproveitar divisórias internas menores e acomodar um volume maior. Por outro lado, botas e saltos altos exigem nichos mais altos, alterando, naturalmente, a capacidade do móvel.
Bicicletas e patinetes

Com o aumento da adoção das bicicletas e patinetes elétricos como meios de transporte, encontrar um lugar adequado para guardá-los dentro de casa virou um desafio cada vez mais comum. Para o arquiteto, o segredo não está só no suporte adequado, mas na forma como é instalado, pois os melhores modelos são aqueles que mantêm a bicicleta levemente afastada da parede.
“Quando o suporte fica alinhado com a superfície vertical, é comum que o pedal ou a roda acabem batendo durante o uso, provocando riscos e sujeira. Sempre prefiro suportes que permitam esse pequeno afastamento e, se possível, em uma parede revestida como forma de resistir aos possíveis contatos”, orienta.
Pequenos objetos

Carteira, chaves, documentos, guarda-chuva, óculos de sol e até carregadores costumam ficar espalhados quando não existe um lugar definido para eles. Por isso, vale considerar a implementação de uma pequena estação de chegada.
“Estruturas como essas dependem muito de como a pessoa vive. Algumas precisam de uma gaveta para guardar carteira e chaves, outras já adotaram a fechadura eletrônica e resolvem tudo pelo celular. Também há quem goste de pendurar o casaco assim que chega e há quem não goste de deixar a peça exposta na sala. Tudo depende de gosto e rotina”, salienta Bruno.
Já quando se pode mexer na entrada…

Nem sempre o hall é uma área totalmente intocável. Quando o condomínio permite intervenções, alguns acabamentos ajudam a proteger a entrada do apartamento contra o desgaste provocado pelo uso diário, como:

Painéis, revestimentos, papéis de parede vinílicos e tintas laváveis são algumas das alternativas que facilitam a manutenção e suportam melhor impactos causados por bolsas, relógios, malas ou carrinhos de compras;
Quadros e placas decorativas fixados na parede também podem valorizar o ambiente, desde que respeitem as regras do condomínio. “Como a entrada do apartamento é uma área de passagem intensa, eu não recomendaria uma sapateira para o lado de fora. E, se não for possível investir em um revestimento, uma tinta lavável já facilita bastante a manutenção. Em espaços compartilhados isso faz ainda mais diferença, porque o desgaste acontece naturalmente com o uso diário”, finaliza.
“Como a entrada do apartamento é uma área de passagem intensa, eu não recomendaria uma sapateira para o lado de fora. E, se não for possível investir em um revestimento, uma tinta lavável já facilita bastante a manutenção. Em espaços compartilhados isso faz ainda mais diferença, porque o desgaste acontece naturalmente com o uso diário”, finaliza.












































