Nuggets de carne produzida em laboratório pela israelenseDivulgação Future Meat/CicloVivo

Por Natasha Olsen

Entre as recomendações do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) está a necessidade de redução das emissões de metano relacionadas à pecuária em um terço até 2030. Diminuir ou cortar a carne da nossa alimentação pode ser uma opção saborosa que traz benefícios para a saúde e para o planeta.

Existem muitas opções de proteínas vegetais e receitas deliciosas para quem quiser experimentar esta troca. E um novo estudo, publicado na Nature Food, aponta que, além dos vegetais, outras fontes de proteína podem entrar na nossa dieta: são as carnes e insetos cultivados em laboratórios.

Tacos com carne cultivada em laboratório produzida pela empresa israelenseDivulgação Future Meat/CicloVivo

Uma série de alimentos não convencionais a base de carne, insetos, algas e laticínios desenvolvidos em laboratório estão sendo desenvolvidos com o objetivo garantir a proteína e outros nutrientes para a nossa alimentação, ao mesmo tempo que diminuem o consumo de água e o uso de terra na sua produção.

Um grupo de cientistas da Finlândia estudou as características nutricionais destas fontes de proteína, avaliando o uso de água, terra e as potenciais emissões de carbono.

Fábrica de produção de carne de laboratório.Divulgação Future Meat/CicloVivo

Depois de analisar estas três variantes ambientais, os pesquisadores afirmam que trocar carne, laticínios e outros produtos de origem animal por alimentos alternativos pode reduzir esses impactos em mais de 80%, considerando a dieta na Europa.

Além disso, os novos alimentos fornecem uma variedade mais completa de nutrientes do que uma dieta estritamente vegetariana ou vegana, segundo os cientistas.

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Outra descoberta dos pesquisadores é que soluções simples, como a redução do consumo de carne e aumento da quantidade de vegetais na alimentação têm um impacto positivo semelhante no planeta.

Em muitas culturas, o consumo de insetos na alimentação já é comum.Jeremy Bezanger-Unsplash/CicloVivo

Segundo Rachel Mazac, pesquisadora da Universidade de Helsinque, reduzir os alimentos de origem animal em 75% poderia resultar em uma redução de 75% nos impactos ambientais.

“Com reduções significativas em alimentos de origem animal e substituições por alimentos novos e alternativas de proteína à base de plantas, é possível reduzir significativamente os impactos ambientais em termos de potencial de aquecimento global, uso da terra e uso da água”, disse Rachel Mazac, da Universidade de Helsinque.

As larvas de insetos são ricas em proteína.Jeremy Bezanger-Unsplash/CicloVivo

A pesquisa foi publicada na Nature Food e examinou novos alimentos que devem entrar na nossa dieta nos próximos anos. Entre as opções avaliadas estavam moscas e grilos, clara de ovo de células de galinha cultivadas em laboratório, algas, proteínas em pó feitas de cogumelos ou micróbios, leite, carne e frutas cultivadas a partir de células.

Estas opções, no entanto, dependem de métodos de alta tecnologia para “cultivar” células animais e vegetais que ainda estão em desenvolvimento. Além disso, as mudanças na dieta podem encontrar uma grande resistência dos potenciais consumidores.

Daniela-Unsplash/CicloVivo

Apesar de muitos estudos já apontarem os benefícios de uma dieta rica em grãos e vegetais com a simples ingestão reduzida de carne e laticínios, esta ideia ainda enfrenta bastante resistência.

O co-presidente do grupo de trabalho do IPCC sobre impactos, adaptação e vulnerabilidade, Hans-Otto Pörtner afirma que não é possível impor uma nova dieta às pessoas, mas que “seria realmente benéfico, tanto para o clima quanto para a saúde humana, se as pessoas em muitos países ricos consumissem menos carne e se a política criasse incentivos apropriados para esta mudança.”

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