Por Diego Revollo

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Quem conhece o trabalho que fazemos aqui no escritório sabe o quanto sou fã de marcenaria. Coincidência ou não, cresci vendo meu pai tendo a marcenaria como seu hobby preferido. Ainda que não tenha desenvolvido o gosto pelo ofício e tampouco herdado a mesma habilidade que ele domina, assimilei todos os elogios frequentes que ele sempre fez a madeira como a nobreza, trabalhabilidade e principalmente a beleza dessa matéria-prima.

Quando comecei a estagiar na área foi quando tive contato com os primeiros desenhos de marcenaria. Foi no escritório do Roberto Migotto, onde trabalhei por sete anos, onde fiz meus primeiros projetos completos de marcenaria para apartamentos e casas.

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A vantagem de trabalhar com o que gosta e principalmente com clientes que executam as nossas ideias é justamente olhar a peça finalizada poder ser crítico em relação não só a ideia, mas as proporções e detalhes.

Como em um exercício de aperfeiçoamento constante, com o tempo conseguimos obter o domínio do projeto; sendo assim, naturalmente partimos para o próximo sempre com vontade de não se repetir ou mesmo de se superar.

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Hoje acredito que, mesmo constantemente aprendendo, tenho um domínio grande do assunto principalmente no que diz respeito ao detalhamento da marcenaria. Costumo dizer que nos meus projetos na etapa de marcenaria eles ganham personalidade e soluções estéticas mais impactantes até que a decoração propriamente dita.

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Por essa razão e por valorizar tanto essa etapa elenquei dúvidas frequentes não só dos meus clientes, mas de muitos quando resolvem optar por esse recurso na hora de reformar ou decorar suas casas.

Madeira tom natural ou madeira pintada?

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Antes de chegar a esta resposta é preciso checar seu grau de afinidade ou não em relação à textura e principalmente às cores das madeiras naturais. De cara ao pensar sobre o assunto a maioria das pessoas já conseguem saber se querem uma presença mais forte da madeira dentro de casa ou se ela pode e deve passar mais desapercebida.

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Para quem não consegue uma resposta consciente um bom exercício é ir separando referências de casas e projetos que você gosta ou de ambientes que você desejaria estar. Certamente só nessa escolha você já terá uma boa amostragem da presença do material. Vale também pensar que a madeira com cores e veios por si só quando inserida em um projeto automaticamente já traz aconchego e “aquecendo” qualquer ambiente.

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Por essa razão é normal e comum vermos a madeira natural presente em pisos porque acaba oferecendo um equilíbrio em relação à maioria das casas e apartamentos onde paredes e teto costumam ser de alvenaria ou gesso pintado.

Uma coisa acaba sendo certa, quanto mais se abusa da madeira pintada ou se elimina a madeira natural, mais é preciso trazer texturas de outros materiais naturais ou até mesmo cores para fugir de um resultado frio.

Rodapé Alto ou Baixo?

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Aqui não se trata apenas de uma questão de gosto ou opinião. Devemos seguir a coerência do projeto de arquitetura ou mesmo o conceito proposto na hora de definir o modelo e a altura. Antes ignorado ou pensado como um item complementar ao piso, tivemos, no começo dos anos 2000, uma valorização do rodapé e um aumento até exagerado na sua altura comparado aos modelos usados até então.

Se antes eles eram com altura variável, em torno de 7 cm a 10cm, e na maioria das vezes usados na própria madeira natural, o aprimoramento da pintura e das lacas junto ao modismo da estrutura clássica o fez saltar para a casa dos 30cm ou até mais em sua altura.

Hoje, quase 20 anos após o modismo dos rodapés altos, voltamos novamente à ideia da discrição ou até mesmo ausência visual desse item. Em projetos mais contemporâneos vale à pena abolir totalmente ou então criar desenhos no qual ele se funde ao piso ou mesmo a estrutura das paredes.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Sendo assim, os rodapés de madeira passam a ter mínima altura, entre 2 cm e 5 cm de altura, ou os mesmos são aposentados e substituídos por perfis metálicos do tipo cantoneira que garantem o arremate mais discreto possível entre pisos e paredes.

Para estruturas mais clássicas ou mesmo grandes ambientes ainda é possível recorrer ao uso do rodapé mais alto até mesmo como um item decorativo, sendo nesse caso aceitáveis modelos mais altos em madeira pintada.

Cozinha com marceneiro ou empresa especializada?

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Sempre que iniciamos uma obra aqui no escritório o primeiro item que abordamos para começar a escolha dos acabamentos é sempre a cozinha. Por envolver a execução de pontos de infra-estrutura, tanto de hidráulica e elétrica, é necessário antecipar todas as definições possíveis para não impactar em atrasos ou retrabalho na obra.

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E hoje no meu trabalho é quase uma regra recorrermos a empresas de móveis e cozinhas planejadas especializadas na confecção da marcenaria para esses ambientes. Se por um lado existe uma limitação de acabamentos e até mesmo modulações, por outro existe a garantia de assistência técnica em áreas que inevitavelmente irão sofrer, já que o uso é sempre mais pesado e frequente.

Aqui no escritório, para que essa área ainda saia personalizada e cada projeto totalmente diferente, muitas vezes misturamos o mobiliário da empresa de planejados a outras soluções da marcenaria tradicional.

Dessa maneira mesas, bancadas e às vezes alguma solução especifica mesmo simples, mas executada na marcenaria tradicional, pelo próprio desenho ou pela escolha do material acaba deixando o conjunto menos padronizado e criando bossa e identidade única. De qualquer maneira toda a parte funcional composta por armários e gavetas fica a cargo da empresa especializada.

Armários com portas de abrir ou correr?

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Com o avanço das ferragens e das técnicas de marcenaria nos anos 1990, vimos surgir no Brasil os primeiros armários com portas de correr. O mecanismo inovador, que antes era mais caro, com o passar dos anos quase se igualou e hoje podemos dizer que a escolha não passa mais tanto pelo critério financeiro.

Hoje a diferença entre o custo de ferragens para portas deslizantes e portas de abrir, ainda que a primeira seja a priori mais alta, são bem próximos a ponto de não interferirem na escolha de determinado modelo de porta.

Projeto de Diego Revollo.Reprodução/Landhi

Um dos mitos difundidos é os de que armários de porta de correr são melhores utilizados em espaços reduzidos, porém nem sempre isso é verdade. Ainda que suas portas quando abertas não ocupem espaço, em hipótese nenhuma deixamos menos de 60 cm entre um armário e uma cama ou mesmo entre um armário e uma mesa lateral. Se pensarmos nas áreas com gaveteiro, essa medida salta para 80 cm e até mesmo 1.00 m se quisermos garantir a abertura total das gavetas com conforto sem esbarrões.

Para áreas estreitas de passagens, como corredores, armários com porta de correr são os mais indicados, já que portas tradicionais quando abertas praticamente impossibilitam a passagem. Para quem quer armários espelhados, os de correr possibilitam painéis de largura generosa que partem de 80 cm e podem chegar até 1.20m.

Em contrapartida, armários com portas de abrir possibilitam quando abertos visualizar todo o “acervo” pessoal, o que acaba sendo um diferencial quase sempre esquecido e muito apreciado principalmente por mulheres.

Portas de correr pressupõem metade do vão sempre coberto aos olhos. Isso em closets maiores acaba dificultando e tomando mais tempo na hora da escolha. Todas essas ponderações fazem com que a escolha atualmente seja praticamente dividida ao meio com vendas equiparadas pesando sempre os critérios acima.

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