SP ganha estátua em homenagem a Tebas, homem escravizado que projetou monumentos na capital (Foto: Divulgação / Marcel Farias)

 

A escultura de Joaquim Pinto de Oliveira, conhecido como Tebas, arquiteto escravizado do século 18, será inaugurada na praça Clóvis Bevilácqua, no centro de São Paulo, nesta sexta (20), dia da Consciência Negra. Feita em inox, ferro e com base de concreto, ela alcança 3,60 metros e foi desenvolvida pelo artista Lumumba Afroindígena e a arquiteta Francine Moreira.


A obra custou R$171 mil da Secretaria Municipal de Cultura, que promoverá na inauguração projeções na Igreja do Carmo e um bate papo com os criadores e Abílio Ferreira, organizador do livro Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata.

 

“É uma obra feita por mãos pretas, cabeças pretas, homenageando uma personalidade preta. Não vejo não ser afrofuturista, ela abre um caminho para um novo tempo”, disse Lumumba. “Temos um equipe de 90% pessoas pretas envolvidas”.

Croqui de estátua em homenagem a Tebas, homem escravizado que projetou monumentos na capital (Foto: Divulgação)

 

Após saber que seria responsável pela estátua,  Lumumba convidou a arquiteta Francine para desenvolver a base da obra. 

O resultado é uma escultura com uma abordagem conceitual devida à falta de registros da real aparência de Tebas. 

“Eu criei aquela máscara com um transferidor na frente, sobre os olhos, que simboliza, além da arquitetura, o tempo. Levou 200 anos para que fosse reconhecido”, explica Lumumba.

Tebas teve participação em obras no centro paulistano como a restauração do Mosteiro de São Bento e da antiga Catedral da Sé, além das fachadas das igrejas da Ordem 3ª do Carmo e  Chagas do Seráfico Pai São Francisco. Seu trabalho mais conhecido foi o Chafariz da Misericórdia, o primeiro público da capital, demolido em 1866 após o processo de canalização de água no centro. 

A estátua de Tebas também ganha mais destaque por ser erguida no ano que estourou o Black Lives Matters, e a presença de monumentos de figuras racistas em todo o mundo foi posta em xeque.

“A gente precisa trazer à tona personalidades negras que foram invizibilizadas e apagadas, e que nossa escultura abra caminhos para tantas outras homenagens”, disse Francine.

 

“Além da estética, é como o mundo vai lidar a partir de agora com a nossa presença, quando o homem negro não estiver mais só limpando e a mulher negra servindo, quando estivermos protagonizando”, disse Lumumba. “O afrofuturismo traz esse debate e discussão e nós estamos contando a nossa história”.

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