Salão do Móvel se mostra confiante no crescimento dos negócios apesar da epidemia na China (Foto: Divulgação)

 

A ameaça representada pela epidemia do coronavírus surgida na China nas últimas semanas foi assunto e motivo de preocupação dos organizadores do Salão do Móvel de Milão, que nesta semana receberam a imprensa de todo o planeta para apresentar algumas novidades da próxima feira, a ser realizada entre 21 e 26 de abril na cidade italiana. A notável ausência dos jornalistas chineses – a Itália suspendeu todos os voos da e para a China desde 31 de janeiro – foi compensada com a entrada em vídeo dos editores dos mais importantes veículos de decoração do país, lamentando a situação e esperando que possam estar presentes no maior evento do calendário mundial do design daqui a dois meses.

 

O posicionamento da feira reflete a importância da exportação para o faturamento da indústria moveleira italiana que, segundo Emanuele Orsini, presidente da Federlegno Arredo (sociedade que promove o Salão do Móvel), aumentou 3% de 2018 para 2019 – boa parte graças ao mercado chinês, onde o Salone realiza uma edição anual em Xangai desde 2016. Para citar um exemplo, a China representa 15% de todas as vendas do recém-criado grupo Design Holding, que abrange as marcas B&B Italia, Maxalto, Arclinea, Flos e Louis Poulsen, de acordo com seu CEO, Gabriele Del Torchio.

A ameaça, no entanto, não é forte o suficiente para afetar a confiança da organização no sucesso do evento, que em 2020 chega à sua 59ª edição. Cerca de 2.200 expositores, dos quais 35% estrangeiros, são esperados para a feira deste ano. Dentre eles, 600 designers abaixo dos 35 anos de idade, concentrados no SaloneSatellite, selecionados pelo olhar da carismática curadora Marva Griffin, presente às apresentações ao lado de Claudio Lutti, presidente do Salão e também da Kartell. Fazem parte da feira este ano as exibições bienais da Eurocucina e do Salone Internazionale del Bagno, voltados, respectivamente, às novidades nas áreas de cozinhas e banheiros.



“O Salão incorpora o espírito de Milão, de mente aberta e vocação internacional. Somos bons em unir negócios e lazer, como fazem as melhores cidades contemporâneas”, diz Giuseppe Sala, o prefeito da cidade, ecoando as expectativas da indústria. Com o advento do Brexit, Milão tem se posicionado como cidade preparada para receber centenas de empresas europeias sediadas em Londres, que agora se veem forçadas a sair da Grã-Bretanha.

Economia circular e sustentabilidade foram os termos mais repetidos tanto pelos comandantes da feira quanto por alguns de seus principais expositores, que revelaram alguns pouquíssimos segredos guardados para abril. O maior destaque ficou por conta de Patrizia Moroso, à frente da companhia que leva seu sobrenome. A diretora criativa adiantou que seu estande, concebido pela parceira de longa data Patricia Urquiola, será inteiro feito de uma material têxtil reciclado a partir de fibras de algodão e de lã da empresa dinamarquesa Really, nova iniciativa da Kvadrat para reaproveitar as sobras de matéria-prima da fabricação de seus tecidos.

“Sustentabilidade virou parte de nossos dicionários”, reforçou Claudio Lutti. “Devemos nos comprometer com isso nos processos, é uma responsabilidade. Temos de cuidar disso e nos posicionar perante a sociedade.” Agora é esperar o fim de abril para ver várias destas e outras ideias sugeridas colocadas em prática de fato. Casa Vogue estará aqui de volta, acompanhem!

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