QUEER EYE (L to R) BOBBY BERK in episode 501 of QUEER EYE. Cr. RYAN COLLERD/NETFLIX  (Foto: Ryan Collerd/Netflix)

 

Foi em 2018 que o Queer Eye estreoou na Netflix. O reality show sob o comando de Bobby Berk, Antoni Porowski, Tan France, Karamo Brown e Jonathan Van Ness, apelidados de Fab Five – os cinco fabulosos, em tradução literal –, já acumula cinco temporadas em apenas dois anos. A sexta está fase de produção, mas teve sua gravação interrompida durante a pandemia. 

 

 

QUEER EYE (L to R) KARAMO BROWN, JONATHAN VAN NESS, TAN FRANCE, ANTONI POROWSKI, BOBBY BERK, and NOAH HEPLER in episode 501 of QUEER EYE. Cr. RYAN COLLERD/NETFLIX  (Foto: Ryan Collerd/Netflix)

 

Em cada episódio, a equipe transforma a casa, o estilo e a auto-estima dos participantes, chamados de heróis. O makeover é surpreendente e acontece em apenas (pasme!) três dias. Como eles conseguem? “É mágica gay”, revelou Bobby Berk, que é designer de interiores, em entrevista exclusiva à Casa Vogue. Durante o bate-papo, Berk também contou sobre sua relação com o Brasil e deu dicas para renovar a casa de forma rápida e econômica. Confira abaixo! 

Impossível não começar falando sobre o momento no qual estamos vivendo. Afinal, o isolamento social transformou a nossa relação com a casa. Na sua opinião, qual a lição sobre o morar e nossa casa que vamos tirar desta experiência? 
Acredito que aprendemos que a nossa casa tem um grande impacto em nosso bem-estar e em nossa saúde mental. Por isso é importante mantê-la sempre arrumada e organizada. Além de projetar os ambientes de forma que nos deixem felizes e relaxados, ao invés de estressados. Em Queer Eye eu sempre ensino aos nossos heróis que quando não organizamos a nossa casa, nós criamos caos na nossa mente. Aí acordamos de manhã e nos sentimos um fracasso. E vamos dormir a noite com a mesma sensação, pensando “mais uma coisa que eu não fiz”. Então, acredito que as pessoas estão aprendendo que suas casas são mais importantes do que elas pensavam.   

QUEER EYE (Foto: Christopher Smith/Netflix)

 

Acho que é uma verdade universal que após tanto tempo em quarentena dentro de casa está todo mundo um pouco enjoado da própria decoração. Como podemos renovar o décor de forma rápida e sem gastar muito? 
Uma das coisas que mais gosto de fazer é: ir às compras em nossa própria casa e mudar os itens de lugar. Por exemplo, tire um quadro que está em quarto e coloque-o na sala. É incrível o efeito, parece uma peça completamente diferente. Então mude as coisas de lugar em casa, as obras de arte, as luminárias… O resultado é uma decoração nova. Além do que: você já ama essas peças, então não tem erro!    

Outra dica é apostar no uso de papel de parede. Uma excelente ideia até para quem mora em apartamento alugado, pois é um revestimento fácil de remover. Ou trocar as cores das paredes, é uma forma fácil de transformar os ambientes. Pode ser uma cor alegre ou paredes pretas – eu amo paredes pretas! Então é isso: mudar móveis e objetos de lugar e trocar as cores das paredes são mudanças rápidas e baratas!

Processed with VSCO with al3 preset (Foto: Luke Fontana, cortesia de Bobby Berk)

 

Em cada episódio você reforma a casa inteira do participante em apenas três dias. Como você consegue?
É mágica gay! (risos) Na verdade, eu tenho uma equipe excelente. Nos reunimos e eu aponto a direção na qual desejo ir e eles começam a organizar. Sem eles eu não conseguiria fazer, pois enquanto tudo isso acontece, eu estou filmando o episódio e já planejando o próximo. 

Se você reparar, nas duas primeiras temporadas eu não aparecia tanto no programa, pois eu estava trabalhando nas casas. Agora meu time e eu estamos juntos há bastante tempo e eu confio muito nele. Então, eu consigo aparecer mais no programa e ainda ter o meu trabalho feito da forma como eu gostaria. Resumindo: eu só consigo fazer porque tenho uma equipe excelente e muito organizada.  

QUEER EYE (Foto: Christopher Smith/Netflix)

 

Ainda que o tempo de reforma seja curto, acredito que o maior desafio é entender a personalidade do morador e levá-la para o décor. Como funciona esse processo?
Bem no começo, eu tentava fazer perguntas de decoração aos participantes, como “Qual o seu estilo de decoração favorito? Qual a sua cor preferida?”. E não funcionava, pois geralmente decoração não era um assunto com o qual eles estavam familiarizados. Então, eles não entendiam os termos e acabavam inventando uma resposta e aí quando eu terminava de projetar os espaços, eu percebia que não combinava com o morador. Então, mudei a estratégia. Eu passei a perguntar coisas que não tinham nada a ver com decoração. 

Lembra o episódio do Remy [01×06 – O renascimento de Remington], que herdou a casa de sua avó com uma estética bem anos 1970? Eu perguntei qual era sua série favorita e ele respondeu que era Mad Men. E também qual a viagem dos sonhos dele, e era Cuba. Então eu pensei: duas respostas bem anos 1950. Por isso, investi nos móveis midcentury. Quando ele viu, disse: isso é muito a minha cara. Como você sabia se nem me perguntou sobre decoração?. E eu respondi: porque eu te perguntei sobre o que você gosta e transformei essas informações em decoração. Então, esse é o segredo: perguntar sobre coisas que não tem nada a ver com décor.  

Apesar de cada décor ser único e pensado para seu morador, existe algum elemento em comum em todos eles? Algo que você pode chamar de sua assinatura? 
Acredito que uma marca registrada em minhas decorações é o bom equilíbrio entre elementos escuros e claros. Por exemplo: se eu investir em paredes pretas, o piso será bem claro e todos os outros objetos também. Ou se os móveis forem escuros, todas as paredes e o piso serão brancos. Eu acredito que esse equilíbrio tem que existir no mundo.  

Queer Eye (Foto: Courtesy of Netflix)

 

Agora eu tenho um desafio para você! Se você tivesse que escolher uma casa de Queer Eye para morar: qual seria e porquê? 
UAU! Acho que eu escolheria do AJ [01×04] ou a do Neal [01×02]. Elas são duas casas com espaços modernos, mais minimalistas. As duas ganharam armários de cozinha pretos. Eu adoro espaços bem iluminados, mas com elementos de décor escuros. E essas suas decorações parecem bastante com a minha própria casa. 

Conta pra gente: o Fab Five te procura para pedir conselhos de décor?
O Antoni acabou de me mandar uma mensagem pedindo para reservar duas mesas da minha coleção. Faz 20 minutos. (risos) Ah, o Jonathan mudou recentemente e eu ajudei ele na decoração. Também já ajudei o Karamo em algumas coisas. Tan é único que nunca me pediu ajuda, ele sempre faz tudo por conta própria. 

Jonathan Van Ness, Antoni Porowski, Tan France, Bobby Berk, and Karamo Brown from Queer Eye (Foto: Netflix/Divulgação)

 

Você começou a entrevista me dizendo “Boa tarde!”, além de frequentemente postar em português. Qual a sua relação com o Brasil? 
Eu sou apaixonado pelo Brasil, pela cultura e pela energia brasileira. Amo a arquitetura de Brasília, apesar de não gostar muito do que está acontecendo lá no momento. (risos) Mas acho maravilhosa, é moderna e bem o meu estilo. Quando for ao Brasil, quero conhecer Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador!

Temos a possibilidade de uma temporada Queer Eye Brasil?
Eu espero que sim! Infelizmente, não somos nós que tomamos essas decisões, é a Netflix quem decide. Mas eu amaria!  

 


Para finalizar: que tal deixar um recado para seus fãs brasileiros?
Eu amo a maneira como os brasileiros são apaixonados pelas coisas. Foi assim que notei a grande quantidade de fãs brasileiros que tinha. Eles interagem muito comigo nas redes sociais e sempre me apoiam e enviam mensagens muito legais. Então, eu gostaria de dizer: obrigado! Obrigada por mostrar o carinho de vocês por mim e pelo Queer Eye. Eu não vejo a hora de fazer uma viagem pelo Brasil e conhecê-los. 

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