O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

 

Fazia tempo que a Netflix não lançava uma série tão magnífica – talvez, a sua melhor até hoje. Maniac, dirigida por Cary Fukunaga, mistura ficção científica com drama em um roteiro tão original que te confunde nos primeiros episódios. O único defeito é que a série é limitada, portanto temos que nos contentar com apenas uma temporada.

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Maniac (Foto: Netflix/Divulgação)

 

O roteiro escrito por Patrick Somerville conta a história de Owen Milgrim (Jonah Hill) e Annie Landsberg (Emma Stone), dois jovens com problemas pessoais diversos que se encontram em um teste da indústria farmacêutica – o excêntrico Dr. James K. Mantleray (Justin Theroux) criou uma droga capaz de curar todos os traumas psicológicos. Durante essas imersões que a equipe de médicos e pesquisadores divide em A,B,C, as inúmeras vivências inconscientes de Owen se misturam com as de Annie. Não preciso nem ressaltar a qualidade de atuação de Emma Stone e Jonah Hill, dupla queridinha de Superbad (2007).

O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)
O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

 

A beleza da série está na capacidade de abraçar tantos gêneros e ambientações – cada imersão inconsciente se passa em um espaço-tempo diferente -, sem perder o fio condutor, sem cair em clichês e, principalmente, dar um final digno aos episódios. O designer de produção Alex DiGerlando (Oito mulheres e um segredo e True Detective) trouxe referências distópicas de Blade Runner, as mágicas de Senhor dos Anéis, a simetria de 2001: Uma odisséia no espaço, a nostalgia de Her e a ironia “meiga” da estética inconfundível de Wes Anderson.

Maniac (Foto: Netflix/Divulgação)

 

O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

 

Mas é muita informação para pouca coisa! – Muito pelo contrário: o trabalho de DiGerlando se torna excepcional pela capacidade de unir tudo isso e dar sentido visual alinhado com a proposta ácida do roteiro. As constantes cutucadas nos comportamentos sociais contemporâneos incluem um computador que se revolta com o centro de pesquisa, porque ele teve seus sentimentos deixados de lado; uma família milionária de Manhattan que tenta acobertar o estupro feito pelo filho mais velho usando o mais novo, Owen, que sofre com esquizofrenia, como álibi; e por aí vai.

O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

 

O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

 

Nestes múltiplos universos, a direção de fotografia de Darren Lew incrementa a direção de arte como forma de mostrar as diferentes técnicas possíveis para uma série. Como Maniac possui cenas de ação, perseguição, violência explícita, introspecção e reflexão, tudo dentro de um contexto de ficção científica, a câmera é viva no sentido de não ter o mesmo tipo de movimentação dependendo da história do episódio. No plano real do laboratório, é tudo milimetricamente alinhado, com cenas mais longas e diálogos mais frenéticos. Já em uma das vivências, que envolve representantes de governo do mundo todo no pós-guerra, planos sequência de lutas ensaiadas e planos abertos dominam a cena. Da mesma forma que a direção de arte garante uma unidade visual, mesmo com tantas situações diferentes, a fotografia também. Maniac parecem várias séries em uma, uma série em várias. É brilhante!

O primor visual de ‘Maniac’, da Netflix (Foto: Netflix/Divulgação)

 

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