‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

Spike Lee consegue se superar a cada produção – não que as antigas não sejam boas, mas é um aprimoramento de texto-imagem de chorar diamantes. Em o Infiltrado na Klan, o diretor, vencedor da Palma de Ouro em Cannes este ano, conta a história verídica do policial afro-americano Ron Stallworth que se infiltrou na Ku Klux Klan nos anos 1970. Com seu humor ácido e muita sabedoria fílmica, ele critica em vários momentos a sociedade atual, que ainda possui grupos alinhados com as crenças da organização extremista.  

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‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

Para auxiliar nessa reconstrução da história norte-americana, Lee contou com ajuda do designer de produção Curt Beech, com quem trabalhou em She’s Gotta Have It. A narrativa frenética, com uma montagem tão cômica quanto os diálogos, se passa em três cenários principais: a delegacia de polícia, o apartamento de Ron Stallworth e a casa de um dos membros da Ku Klux Klan, Felix Kencrickson. Beech e o gerente de locação Tim Stacker se instalaram em Ossining, Nova York, para recriar Colorado Springs dentro do briefing estético eleito pelo diretor. “O nosso principal desafio foi encontrar a delegacia de polícia em Nova York, já que existem inúmeros programas de TV e outros tantos filmes que as usam de locação”, explica o designer de produção. “A saída foi construir do zero, dentro de um prédio já existente, que foi totalmente reformado para nós – saiu um pouco mais caro, mas nos proporcionou melhores resultados visuais.”

‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

A delegacia do Infiltrado na Klan fica dentro de um prédio de tijolos laranjas, bem típico nos Estados Unidos. Porém, nem tudo precisava estar dentro dos padrões estéticos dos anos 1970. “Montamos o set bem limpo e organizado, para depois criarmos camadas de ‘uso’, para parecer desgastado mesmo, com marcas do tempo”, diz Curt Beech. Só dessa forma foi possível deixar o cenário bem autoral e convincente, sem aquela cara de “palco” forçado. Por ali, a paleta de cor reflete essa transição entre os anos 1960 e 1970, com o piso colorido, muita madeira escura, salas envidraçadas e paredes em azul profundo.

‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

O apartamento do protagonista, Ron Stallworth (John David Washington excelente no papel), condiz com a sua personalidade: um homem vanguarda, questionador e politizado. “Ron é o homem iluminado em um mundo ignorante, então seu ambiente é mais interessante. Ele mostra sua integridade e senso de propósito, e como está conectado ao presente e ao futuro”, explica Beech. Os interiores, aqui, possuem tendências de decoração mais avançadas para a época do filme, representando esse pensamento “à frente do seu tempo”. 

‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

Já na casa de Felix Kendrickson, Curt Beech também usa a dinâmica entre arquitetura e interiores para revelar os traços deste personagem. “Ao contrário de Ron, Felix é um homem ignorante em um mundo progressista. Ele está estagnado no passado e não consegue se mover para além dele. Está sempre olhando para trás…”, reflete o designer de produção. “Tive, então, que imaginar uma casa que não fosse a dele ou da sua esposa, mas sim de seus pais ou parentes mais velhos, afinal, eles estão vivendo no passado – e definitivamente não poderia ser tão descolada quanto a de Ron.” Isso fica perceptível pelo uso de papel de parede floral, móveis ornamentais e a própria divisão da casa, típica dos anos 1950. Na parte inferior, existe um porão, que marca horizontalmente as duas identidades deste personagem. “Lá embaixo fica o ‘espaço de trabalho’ dele; onde ele guarda as armas, planeja a fabricação de bombas.” É como um esconderijo, tem outro papel de parede, tapete, objetos decorativos mais agressivos, por exemplo.

‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

Como dito anteriormente, a direção de fotografia de Chayse Irvin (que trabalhou com Beyoncé em Lemonade) aliada à montagem de Barry Alexander Brown (Old Boy) e ao set design proporciona uma narrativa visual tão magnífica quanto a própria história do filme. “A palavra-chave para mim é autenticidade”, resume Curt Beech, que teve o cuidado de pesquisar e garantir cada detalhe: do tipo de papel usado na década até o rótulo de cada produto que aparece em cena. “Como Spike Lee adora improvisar, tudo precisava estar alinhado. Várias partes do cenário não estavam previstas para serem filmadas, assim, em primeiro plano, mas acabaram sendo. Até a iluminação do teto da delegacia é precisa de acordo com a época – custou bastante dinheiro para nós, o público deve prestar atenção nisso também”, brinca ele. O Infiltrado na Klan merece ser visto e revisto quantas vezes puder.

‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

‘Infiltrado na Klan’: como os cenários do filme auxiliam na construção dos personagens (Foto: Universal Pictures/Divulgação)

 

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