Inês Schertel participa da mostra Materica, em Milão

Materica, a mostra que inaugura nesta quinta-feira (16 de maio) na galeria do nhow Hotel de Milão, apresentará jeitos inusitados de trabalhar os materiais. Entre os artistas e designers convidados, estão 16 italianos e dois estrangeiros: o japonês Oki Izumi, com itens de vidro, e a gaúcha Inês Schertel, que expõe sete peças feitas artesanalmente com a lã das ovelhas de sua fazenda em São Francisco de Paula, RS. “Conheci o trabalho de Inês e gostei imediatamente, tanto pelo valor estético como pelo significado de trazer voz contemporânea a uma antiga tradição”, afirmou a curadora Elisabetta Scantamburlo. 

 

Inês Schertel participa da mostra Materica, em Milão (Foto: Fifi Tong/Divulgação )

Mágico e genuíno aos dias atuais, o universo da designer brasileira ganhou as páginas do prestigiado jornal italiano Corrieri della Sera no ano passado e chamou a atenção de Elisabetta, responsável também pela galeria de arte do nhow Hotel. “Existe uma tendência crescente de valorização no modo de vida ‘lento’. De slow food a slow design, há uma consciência se espalhando de como podemos preservar as tradições e salvaguardar o mundo em que vivemos de uma maneira mais respeitosa. Respeito às pessoas, à natureza e às coisas em geral. Criativos como Inês estão mostrando a melhor maneira de aprender com o passado. Estou feliz pela oportunidade de apresentar isso ao público”, disse Elisabetta.

Inês Schertel participa da mostra Materica, em Milão (Foto: Fifi Tong/Divulgação )

Essa não será a primeira vez que Inês expõe na Europa. Ela já participou quatro vezes da Semana de Design de Milão e, em 2017, apresentou 21 itens de seu trabalho numa exposição individual no espaço Espelho D’Água, em Lisboa. Foi na cidade italiana, por sinal, que Inês descobriu a técnica que a levaria a aderir ao slow design. Na galeria RO, da curadora Rossana Orlandi, ela se encantou, oito anos atrás, com um tapete de feltro rústico confeccionado com lã de ovelhas por artesãos de aldeias nômades. “Sempre quis aproveitar o material da tosquia dos animais de minha fazenda. Essa descoberta foi uma feliz coincidência”, disse.

Inês Schertel participa da mostra Materica, em Milão (Foto: Fifi Tong/Divulgação )

A técnica ancestral usada para feltrar a lã foi adquirida em diversas viagens para a Ásia Central. No Quirguistão, aprendeu com os povos nômades a friccionar manualmente a lã, com água e sabão, até surgir o feltro, considerado o primeiro tecido da humanidade, feito sem fio nem tear. Na fazenda Cabaña Santa Ines, onde vive há seis anos com o marido, Neco Shertel, a ex-diretora de arte tira partido da natureza do entorno para idealizar produtos de decoração e moda feitos manualmente por ela, um a um. Plantas, árvores, montanhas, ninhos de pássaros e a bruma do amanhecer servem de inspiração a seu rico repertório constituído de cestos, bancos e tapeçaria. “Valorizo cada etapa de elaboração das peças: das ovelhas criadas em capo nativo melhorado ao tingimento natural. Acho fascinante poder reaproveitar, reutilizar e ressignificar o nobre material, não mais necessário a esses animais.”

Inês Schertel participa da mostra Materica, em Milão (Foto: Fifi Tong/Divulgação )
Inês Schertel participa da mostra Materica, em Milão (Foto: Victor Affaro/Divulgação)

 


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