Casa Vogue de setembro fala sobre morar com qualidade de vida  (Foto: Fran Parente)

 

Desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil e da identificação do isolamento social como maneira mais efetiva de se evitar o contágio pela doença, um movimento ganhou corpo: o da migração – na maioria dos casos,temporária – de habitantes de centros urbanos para localidades o mais remotas possível. No início, quem já tinha uma segunda casa (no campo, na praia, na montanha) rapidamente empacotou víveres e itens essenciais (inclua-se aí asferramentas necessárias para o trabalho remoto) e se abrigou no refúgio antes acostumado a acolher apenas momentos de lazer em dias “inúteis”. Em seguida, aqueles que não possuíam residência de veraneio, mas dispunham dos meios para tal, correram para o mercado em busca desse imóvel, sobretudo em condomínios fechados – uma demanda que aumentou exponencialmente nos últimos meses, de acordo com diversas imobiliárias do segmento de alto luxo. Neste meio tempo, houve quem voltasse após um período, há os que permanecem afastados até hoje, e haverá montes mais de gente partindo das metrópoles rumo a um autoexílio voluntário. Estaríamos vivendo um êxodo urbano?

A pergunta foi o ponto de partida da edição de setembro da Casa Vogue. A resposta revelou-se tão complexa e multifacetada que montamos um verdadeiro dossiê acerca do assunto. Há uma reportagem sobre o suposto motivo por trás da atual “fuga para as colinas”: a procura por um contato maior com a natureza e por mais espaço para a realização de atividades ao ar livre, com dados observados pelo setor imobiliário. Outra matéria fala sobre a desaceleração, ou “slow living”, enquanto a suspeita levantada, de que abandonar as metrópoles proporciona inúmeras vantagens, mas pode não ser a panaceia em que muitos acreditam (e que época para desejarmos uma panaceia!), se confirma na densa entrevista concedida pela filósofa e psicanalista Viviane Mosé. Segundo ela, “não é fugir da cidade que resolve a cidade. Se todo mundo resolver sair, faremos pequenas cidades com os mesmos maus hábitos.”

 

Muito mais do que conceitos geográficos, unidades políticas ou conjuntos arquitetônicos, as cidades são símbolos da existência humana, de tudo aquilo que construímos de melhor ao longo da história. As grandes transformações ora em curso deixarão nelas marcas profundas. Mas estão longe de colocar as metrópoles em xeque. Todo exílio traz em si a vontade do retorno. Boa leitura!

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