Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

Ainda na década de 1980, os pais de Valéria Gontijo compraram uma chácara no então pouco ocupado Lago Sul – hoje área nobre da capital federal. Ali ergueram uma casa e, com os filhos chegando à idade adulta, quiseram dar a eles um lugar para morar quando se casassem. Aos poucos, informalmente, construíram um pequeno condomínio de chalés e colocaram em prática o jeito mineiro de manter a prole por perto. Assim a família cresceu, unida.

 

Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

Nome à frente de um dos escritórios de arquitetura mais concorridos de Brasília, Valéria planejava um lar maior havia tempo, mais atual, de veia modernista. Mas como deixar a estrutura afetiva para trás? Duas tentativas de mudança aconteceram em vão: os terrenos escolhidos ficavam muito longe (a mais de um grito de distância) e a saída foi vendê-los. Até que o lote vizinho à residência original ficasse disponível, quase 15 anos se passaram. E aí começa uma nova história. “Fizemos uns 20 projetos até chegar ao ideal. A única coisa que todos tinham em comum era o pavimento único, solto do chão, com um vasto jardim”, conta a moradora.

Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

Ao longo do processo, Valéria aproveitou para garimpar móveis, acessórios e obras de arte. “Tenho carinho especial pelas peças de Jorge ZalszupinSergio Rodrigues. Amo tudo o que vem dos anos 50”, confessa. A afeição pelo design nacional obviamente virou uma das marcas de seu escritório, instalado, aliás, em uma casa assinada por José Zanine Caldas.

Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

Formada em engenharia civil, Valéria tem particular apreço pela parte bruta da construção. “Gosto de manter as estruturas aparentes. Optei por fazer uma laje protendida bem fininha, que permitisse vãos amplos, para que a casa pudesse respirar”, detalha. O projeto de 880 m² ganha pontos pela simplicidade. Um volume central de concreto com 3,25 m de pé-direito abriga a ala social. De dentro dele, encaixadas, saem outras duas partes mais baixas, com 2,55 m de pé-direito, quase em formato de Z – uma guarda as quatro suítes e, a outra, as áreas de serviço.

 

Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

Quem vê a edificação horizontal com mais de cem portas pivotantes, prontas para se transformar em brises, entende as influências da Brasília de Niemeyer bem marcadas ali. A morada tem boa ventilação, luz natural abundante e uma ligação muito forte com o verde. “Às vezes me surpreendo com minhas filhas abrindo a janela do quarto e pulando para o jardim, sem passar por dentro de casa”, brinca. Responsável por essa parte, a equipe da Cenário Paisagismo veio de São Paulo com a pauta de priorizar espécies do cerrado. Além de manter o pequizeiro centenário que havia no terreno, o jardim ganhou ipês e flamboyants que colorem o deque na época da florada. Exceção estrangeira permitida, a madressilva perfuma todos os ambientes quando faz um sutil frio no Centro-Oeste. Perguntada se este é mesmo um lugar para se desligar de tudo, a resposta de Valéria Gontijo é amorosa. “Tenho tudo de que preciso aqui e ao meu redor. Está cada vez mais difícil me fazer sair de casa”.

Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

Fizemos 20 projetos até chegar ao ideal. O que todos tinham em comum era o pavimento único, solto do chão, com vasto jardim”
Valeria Gontijo
Casa de 880 m² em Brasília se mistura ao jardim  (Foto: Marcos Mendes Manentes/Front Filmes/Divulgação)

 

 

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