Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

Dias de tédio são artigos em falta nesta casa japonesa. Seus 79 m² distribuídos entre dois andares poderiam conter só mais um lar em meio ao mar infinito de construções que dá a Tóquio suas feições de megalópole, mas a família que aqui vive fez questão de que seu pequeno refúgio saísse do óbvio. Estamos no bairro de Miyamae, a 20 minutos do centro da cidade, que forma, junto com seus arredores, a maior região metropolitana do mundo – são quase 38 milhões de habitantes. Se por fora a casinha discreta se camufla na vizinhança, por dentro guarda uma euforia inesperada e intensa, uma revolução de cores, exatamente como os moradores pediram ao arquiteto Kazuyasu Kochi.

 

Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

“Eles queriam uma distribuição típica, com dois quartos, living, cozinha – e paredes coloridas”, revela o profissional. E assim foi feito. Só que o traço criativo do premiado arquiteto não se limitou a dar origem a uma estrutura padrão. Ao erguer a morada do zero, ele teve liberdade para inventar recortes em paredes, teto e piso, conferindo um ar cubista aos reduzidos cômodos. Com este recurso, integrou ambientes, favoreceu a circulação de ar e a passagem de luz. Curiosamente, enquanto ampliamos espaços, os ângulos inusitados combinados com matizes diferentes para cada recinto trazem um quê de labirinto aos interiores. É preciso observar com atenção para entender o jogo de formas e cores.

Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

Kochi chama o efeito de “cenários de alta densidade”, ou seja, quando é possível ver fragmentos de muitos cômodos a partir de um mesmo ponto. Por exemplo: se o observador está na sala de TV, consegue enxergar, em parte, a cozinha, a despensa, o hall de entrada, as escadas, as demais salas do térreo e até os quartos do segundo piso. Não à toa, a complexidade da arquitetura exigiu dez meses de projeto e outros seis de obra.



Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

Neste lugar onde parece haver sempre algo novo a ser descoberto, vivem um casal e seus dois filhos pequenos. A residência conta com apenas um banheiro e dois quartos – o principal e aquele que as crianças dividem –, algo bastante comum no Japão. Histórica e geograficamente, a enorme população concentrada no território insular do país não teve opção a não ser se adaptar a viver em metragens cada vez menores. “As casas de Tóquio para uma família com filhos medem, em média, 80 m²”, explica Kochi. E qual é o segredo para não sentir falta de mais espaço? “Diminuir quartos e corredores e, mais importante, integrar ambientes”, sentencia ele. Em outras palavras, tudo o que foi feito aqui.

 

Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

O pensamento vanguardista de Kochi, estampado na estrutura de madeira compensada, contrasta e se equilibra com antigas tradições culturais nipônicas: é o caso dos tatames pelo chão e da decoração minimalista e extremamente funcional. A mesa baixa para refeições dispensa assentos – almofadas bastam. Os poucos móveis que se veem na sala são prateleiras e nichos para guardar eletrônicos e brinquedos das crianças e, na cozinha, mantimentos e utensílios. Na leveza visual dos interiores, os lustres de papel ganham destaque, como esculturas flutuantes em plena tela cubista. Uma moradia ímpar, onde a vida flui com facilidade, sem nunca ser quadrada.

Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

 

Casa de 79 m² em Tóquio surpreende com uso geométrico das cores (Foto: Kazuyasu Kochi/Divulgação)

 

 

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