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Batizada de The Uncensored Library (“biblioteca sem censura”, em tradução livre), a biblioteca virtual abriga artigos proibidos em países como Egito, México e Rússia. A Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização não-governamental sem fins lucrativos, e a agência de publicidade criativa DDB desenvolveram o conceito para que jovens jogadores em países com regras rígidas de censura à imprensa possam acessar o material.

​​”O objetivo era atingir jogadores com idades entre 15 e 30 anos, especialmente em países com censura online, para engajá-los com o jornalismo independente”, disse o diretor de arte da DDB Germany Sandro Heierli ao Dezeen.

A equipe optou por incluir a biblioteca virtual dentro do Minecraft, usando armazenamento em nuvem blockchain para evitar que governos fiscalizem seu conteúdo. “A biblioteca pode ser baixada como um mapa offline”, explicou Heierli. “O mapa offline é então armazenado em um armazenamento em nuvem blockchain descentralizado – o que é impossível de hackear.”

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“Uma vez baixado, cada mapa pode ser carregado novamente, permitindo que a biblioteca se multiplique”, ele continuou. “Até agora, existem mais de 200.000 cópias – isso torna impossível tirar a biblioteca do ar, mesmo para os próprios Repórteres sem Fronteiras.”

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Qualquer pessoa com acesso ao servidor pode ler os livros de 100 páginas, mas a popularidade do Minecraft entre os jovens foi um fator importante no desenvolvimento da biblioteca.

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“Em países opressores que restringem cada vez mais os direitos de seus cidadãos, os jovens tendem a fugir para jogos como o Minecraft, que ainda oferecem liberdade em mundos virtuais”, disse Heierli.

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Os usuários podem interagir de maneira divertida com o conteúdo da biblioteca, coletando, compartilhando e escrevendo seus próprios livros no jogo. Os jogadores podem ler os livros na Biblioteca sem censura, mas não podem alterar o conteúdo dos livros no servidor.

A RSF e a DBB selecionaram artigos com base em critérios cuidadosamente desenvolvidos. Eles compararam os países com uma pontuação alta no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF – o que significa que o país tem um baixo grau de liberdade para jornalistas – com aqueles com alto uso do Minecraft, conforme descrito nos dados do Google.

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Os designers então instalaram um plug-in do jogo que converte automaticamente documentos do Word em livros no Minecraft que podem ser encontrados na The Uncensored Library.

Paralelamente à proteção dos usuários, DBB e RSF consideraram a proteção dos jornalistas. A maioria dos escritores, como o jornalista mexicano Javier Valdez, já faleceu, vive no exílio ou permanece anônimo. Além disso, segundo Heierli, “a RSF está em estreito contato com os jornalistas ou suas famílias para garantir a segurança de todos”.

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RSF e DBB colaboraram com o estúdio de design BlockWorks para construir a biblioteca, que é inspirada pelo design da Biblioteca Pública de Nova York. No total, foram necessárias 24 pessoas de 16 países e 12,5 milhões de “blocos de Lego digitais” para criar o espaço virtual.

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“O design da biblioteca é derivado das tradições da arquitetura romana e grega antiga”, disse Heierli. “O estilo arquitetônico neoclássico é frequentemente usado para representar a cultura e o conhecimento no projeto de edifícios públicos em todo o mundo, como museus, galerias e bibliotecas.”

*Via Dezeen

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