Beatriz em seu ateliê carioca.Revista CASA CLAUDIA

Como é viver num universo de criações abstratas e energéticas, que pulsam?

A abstração desenvolve um mundo que só é encontrado na arte – esse fato me motiva a ser artista e, especialmente, pintora. A tela em branco é o lugar em que posso construir um mundo particular, que só irá pertencer ao universo da arte. A geometria me interessa enquanto parte da vida, como uma base de raciocínio para criar sistemas, estruturas, imagens, motivos, elementos, formas, cores. Ela ajuda a concretizar a minha linguagem. Você mistura suas raízes e referências do mundo na sua produção.

Móbile Aquarium, de pedras preciosas, para a Cartier.Revista CASA CLAUDIA

Como isso acontece?

Existem dois momentos que caminham juntos, mas nem sempre na mesma estrada: entender minha história e desenvolver uma linguagem própria e externar paixões, obsessões, interesses, sonhos, prazeres, belezas, crenças, fascínios, pavores, raízes. A prática do ateliê é um embate frequente desses dois momentos.

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Obra Coqueiral e Móbile Aquarium, de pedras preciosas, para a Cartier. m Marrom e Azul-Celeste.Revista CASA CLAUDIA

Quais foram suas maiores influências?

O modernismo, tanto o brasileiro, na figura de Tarsila do Amaral, quanto o europeu, com Matisse e Mondrian.



Tapeçarias da série Rio Azul, para a Maison Pinton, que será apresentada numa individual da artista na galeria londrina White Cube Bermondsey.Revista CASA CLAUDIA

O que mais encanta você hoje?

Museus, galerias, instituições de arte, salas de concerto, de cinema, desfiles das escolas de samba. Eu me sinto em casa e feliz quando estou nesses ambientes, que oferecem momentos de reflexão, poesia, humanidade, beleza – um convite à imaginação. Acredito na arte e na sua capacidade de transformar as pessoas.

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Obra Pareô em Laranja e Verde, feita em acrílico sobre tela, mostrada na Galerie Max Hetzler, em Berlim (2016).Revista CASA CLAUDIA

Você é hoje uma das artistas mais importantes e valorizadas do mundo. Ainda tem algum sonho?

Muitos! Recentemente, duas possibilidades na minha evolução artística têm me motivado: o desenvolvimento de murais para espaços públicos e o desejo de voltar a trabalhar com crianças. A possibilidade de levar minha arte para conviver com as pessoas, como nos murais de pintura e cerâmica de Nova York, me interessa muito.

 

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