Sobre o sofá de Sergio Rodrigues (Filter), obra de Florian Raiss. Há também telas de Victor Vasarely e Maria Bonomi. Poltrona de Hella Jongerius (Vitra), tapete da Punto e Filo, mesa de centro da Filter e lateral da Micasa.Revista CASA CLAUDIA

“Uma coisa de que gosto aqui, mas que muita gente não curte, é o fato de os ambientes serem totalmente devassados. Eu não ligo. Me sinto como no filme Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock”, conta o executivo Roberto Sansão, proprietário deste apartamento no bairro paulistano de Higienópolis.

O executivo Roberto Sansão na varanda do apartamento.Revista CASA CLAUDIA

A paixão do morador pela obra do cineasta britânico, pela arquitetura do edifício que escolheu para viver e pelo mobiliário vintage, que se destaca no décor, não é por acaso. “Ele cultiva a nostalgia e aprecia tudo o que vem das décadas de 1950 e 60”, diz o arquiteto Antonio Ferreira Junior, autor do projeto ao lado do sócio, Mario Celso Bernardes.

Na parede, obras de artistas como Tomie Ohtake e Odetto Guersoni. Mesa de jantar (Florence Knoll) e cadeiras da Filter. Lustre da Dominici.Revista CASA CLAUDIA

Esse olhar carinhoso para o passado se relaciona, inclusive, com o prédio onde o apartamento está localizado. Há uma década, Roberto sonhava em morar no Cinderela, uma joia projetada por Artacho Jurado nos anos 1950. Depois de muita espera, surgiu a oportunidade de comprar um dos poucos apês com as características originais preservadas.

Detalhe do hall, com as características originais do Edifício Cinderela. Banco Celina, da Filter, e tela de Hércules Barsotti.Revista CASA CLAUDIA

Apesar de mexer o mínimo possível na planta e nos acabamentos, os profissionais adaptaram os ambientes a um estilo de vida contemporâneo, com um living integrado. “Incorporamos um dos quartos à área social a fim de criar a sala de jantar e abrimos a parede para o estar”, explica Antonio.

A porta-balcão da sala de jantar, assim como a do estar, ficou sem cortinas para deixar a vista livre.Revista CASA CLAUDIA

Alguns itens foram restaurados durante a reforma, a exemplo do taco de madeira e das maçanetas, que são polidas semanalmente pelo próprio morador. A ligação dele com o período em que o modernismo brilhou no Brasil se reflete na decoração também.



Na parede ao fundo do corredor, ilustrações de um cartunista belga compradas durante uma viagem.Revista CASA CLAUDIA

Entre os móveis soltos, os arquitetos usaram preciosidades do design nacional, como o sofá de Sergio Rodrigues e a escrivaninha de Jorge Zalszupin, ambos da década de 1960 – as peças fazem um mix interessante com a poltrona desenhada pela holandesa Hella Jongerius, lançada em 2017.

Bufê da Filter e, na parede, obras de Macaparana, Leonino Leão e Flávio de Carvalho.Revista CASA CLAUDIA
A escrivaninha do canto de estudos foi desenhada por Jorge Zalszupin (Filter).Revista CASA CLAUDIA

Outra paixão do executivo são as obras de arte. A primeira a ser comprada foi uma tela de Tomie Ohtake no tom preferido do morador, o verde. “Ela ganhou lugar de destaque: uma parede em que posso vê-la de qualquer canto do living”, explica. Hoje, o acervo cresceu e ficou eclético, com estilos variados – da pintura concreta de Hércules Barsotti aos nus fantásticos de Florian Raiss. Enquanto as telas dominam as paredes, a coleção de bonecos de personagens clássicos, como os dos filmes de Hitchcock, preenche a estante, de traço contemporâneo. Essa mistura de passado com um pé no presente toma conta do décor e tem tudo a ver com o estilo e as memórias de Roberto.

A estante ganhou nichos específicos para abrigar a coleção de bonecos. Foto de Eduardo Pozella.Revista CASA CLAUDIA
Na cozinha, o verde domina a marcenaria (Madeirart) e os acessórios. Cadeiras da Tok & Stok.Revista CASA CLAUDIA
Roupa de cama da Trousseau e mesa lateral da L’Atelier (Filter).Revista CASA CLAUDIA
Retrato pintado por Antonio Ferreira Junior. Luminária da Filter e cadeira vintage da Hobjeto.Revista CASA CLAUDIA

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