Unesco reconhece Brasília como "capital criativa" pelo design (Foto: Reprodução)

 

 

Infraestrutura adequada, saneamento e boa mobilidade são somente alguns dos benefícios que podem surgir com as cidades planejadas. Desenhar uma cidade do zero e manter um planejamento contínuo permite que os centros urbanos sejam bem administrados e, consequentemente, traz impactos positivos para a economia e política. Mas, infelizmente, esta não é a realidade de muitas destas cidades brasileiras.

 

 

 

De acordo com o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), arquiteto Daniel Mangabeira, é fundamental pensar que o planejamento das cidades não é feito de uma vez só, mas em camadas sucessivas. “O planejamento é uma ferramenta poderosa para resolução de problemas e deve ser adotado de forma contínua para manter a cidade sempre atenta aos problemas que surgem com o próprio desenvolvimento”, explicou o arquiteto.

Além do planejamento contínuo, também é importante pensar em planos que aproximem as camadas mais pobres dos centros urbanos, que são mais providos de infraestrutura e serviços. Dessa forma, além dos impactos positivos para a infraestrutura, a mobilidade e o saneamento, as cidades planejadas podem ajudar a reduzir as desigualdades e fazer com que os habitantes tenham um estilo de vida mais agradável.

No entanto, no caso do Brasil, a pauta urbana ainda continua sendo um dos maiores desafios, mesmo com diversas cidades planejadas. Segundo o arquiteto, apesar do planejamento, o país ainda demora muito para cumprir os planos traçados. Este atraso faz com que as ideias se tornem obsoletos mesmo antes de saírem do papel.

Brasília é a cidade planejada mais famosa do país, mas há outras que também integram essa lista. A seguir, listamos nove cidades brasileiras que foram desenhadas do zero ou remodeladas. Confira!

1. Brasília

9 cidades planejadas no Brasil para você conhecer (Foto: Getty Images)

 

Quando pensamos em cidades planejadas no Brasil, é comum que Brasília logo venha à cabeça. Planejada para ser a capital federal do país, a cidade foi escolhida por sua localização no interior, que foi vista como uma forma de defesa contra ataques marítimos, além de ajudar a afastar possíveis protestos e também para tornar a região central do país mais desenvolvida. Por meio de um concurso para eleger como a cidade seria projetada, o urbanista Lúcio Costa e o arquiteto Oscar Niemeyer foram selecionados para elaborar a capital brasileira. Enquanto Costa foi responsável por criar o plano piloto, semelhante a um avião, para desenhar a cidade, Niemeyer ficou responsável por projetar os edifícios que até hoje atraem turistas do mundo inteiro, como a Catedral de Brasília. A cidade, que foi inaugurada em 1960 durante o governo de Juscelino Kubitscheck, recebeu o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO por conta de seu conjunto arquitetônico e urbanístico.

Apesar da arquitetura exuberante, o planejamento de Brasília é marcado por uma série de pontos positivos e negativos. Por um lado, a construção das Superquadras pode ser considerada o maior acerto da cidade, segundo Mangabeira. O local é o maior conjunto residencial moderno construído no mundo, com mais de 1.500 blocos, cercados por faixas arborizadas e por serviços públicos.

Em contrapartida, o planejamento alterou o clima local, principalmente por conta do desmatamento para as construções e do calor produzido pelas superfícies asfaltadas, o que também é uma característica de outras cidades planejadas. A variação ocorreu mesmo com a construção do lago artificial Paranoá.

Além disso, o planejamento fez com que os habitantes da cidade passassem a depender dos automóveis. “Na época em que Brasília foi criada, ela tinha o objetivo de se tornar um marco simbólico, o espaço representativo do governo brasileiro. Além disso, pretendia-se uma cidade sem cruzamentos, com trânsito fluido e edifícios espaçados e bem ventilados. Essas características resolveram os problemas de trânsito em uma certa medida, mas criaram grandes distâncias entre os bairros e forte dependência do automóvel”, explicou Mangabeira. 

2. Salvador

drone view from bay on coastline and skyline of Salvador da Bahia (Foto: Getty Images)

 

A primeira capital do Brasil, Salvador, também pode ser considerada uma cidade planejada. Fundada há quase 500 anos, em 1549, a cidade foi pensada para servir tanto como um centro administrativo, quanto como um forte militar. Projetada pelo arquiteto português Luís Dias, a antiga capital brasileira ganhou um projeto geométrico e quadricular semelhante a uma fortaleza, com forte influência do renascentismo e do estilo arquitetônico lusitano. O projeto fez com que Dias recebesse o título de “Mestre da Fortaleza e Obras de Salvador” do então Governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa.

3. Teresina

9 cidades planejadas no Brasil para você conhecer (Foto: Getty Images)

 

Fundada em 1852, a capital do Piauí também é uma das cidades brasileiras planejadas. Desenhada pelo brasileiro José Antônio Saraiva e pelo português João Isidoro França, Teresina também tem forte influência lusitana e foi desenhada com quadras em formato de um tabuleiro de xadrez. Por estar localizada entre os rios Parnaíba e Poti, a via aquática ajudou com que o comércio se tornasse um dos pontos fortes da cidade, visto que era possível chegar facilmente a outras regiões. Dessa forma, o plano da cidade separou o centro econômico dos edifícios administrativos e religiosos, que ficavam na região central. O planejamento de Teresina faz com que até hoje a cidade seja conhecida pelas áreas verdes, que renderam à capital piauiense o título de “Cidade Verde”.

4. Aracaju

Vista aérea da orla da praia de Atalaia, em Aracaju-capital do estado de Sergipe. (Foto: Getty Images)

 

Com um projeto que também é muito semelhante a um tabuleiro de xadrez, a capital de Sergipe, Aracaju, é outra cidade planejada do Brasil. Desenhada pelo engenheiro Sebastião José Basílio Pirro, a cidade inaugurada em 1855 foi construída às pressas e, por conta disso, manteve o terreno irregular e pantanoso que causa inundações até hoje. Em contrapartida, o planejamento facilitou a atividade portuária e, consequentemente, o escoamento da produção açucareira. Os benefícios fizeram com que a cidade passasse por um período de crescimento econômico e social que se intensificou até meados da Proclamação da República, em 1889.

5. Belo Horizonte

Bairro Funcionários, Avenidas Brasil. Bernardo Monteiro e Carandaí.  Neighborhood Funcionários, Avenues Brasil, Bernardo Monteiro and Carandaí. (Foto: Getty Images)

 

Inaugurada em 1897, Belo Horizonte foi a primeira cidade brasileira moderna a ser planejada. A cidade foi planejada pelo engenheiro e urbanista Aarão Reis. O objetivo era fazer com que a nova capital de Minas Gerais se tornasse uma “cidade do futuro”. Para isso, o planejamento rompeu a tendência de cidades quadriculadas e ganhou grande inspiração francesa. O projeto foi inspirado na reconstrução de Paris feita pelo administrador público George-Eugène Haussmann. Por volta de 1850, mais de 19 mil edifícios foram demolidos na cidade francesa e ruas antigas foram substituídas por avenidas amplas. Dessa forma, a capital mineira seguiu a ideia de criar ruas espaçosas para permitir o fluxo de pessoas e a circulação de mercadorias. O plano previu ainda a separação entre a área urbano, com serviços, comércios, centros administrativos e residências, da região rural.

6. Goiânia

High angle view of Goiânia (GO), showing Flamboyant park (Foto: Getty Images)

 

Considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, Goiânia foi a primeira cidade brasileira planejada no século XX. Desenhada pelo arquiteto e engenheiro Attilio Corrêa Lima, a cidade também foi influenciada pelo urbanismo francês e pelo estilo Art Déco. A cidade surgiu em meio ao plano de desenvolvimento do interior do Brasil de Getúlio Vargas, denominado “marcha para o Oeste”. Apesar do intuito de criar uma capital moderna e adequada ao ritmo de produção capitalista para Goiás, a cidade foi pensada para uma suportar até 50 mil habitantes. No entanto, atualmente, a população é de mais de 1,5 milhão de pessoas. Mesmo com o crescimento maior do que o esperado, a cidade ainda possui um dos maiores percentuais de áreas verdes por habitantes do Brasil, o que é uma das consequências do planejamento urbano.

7. Boa Vista

9 cidades planejadas no Brasil para você conhecer (Foto: Getty Images)

 

Apesar de ter surgido antes do planejamento, Boa Vista foi remodelada na década de 1940 pelo engenheiro Darcy Aleixo Derenusson. Também inspirada no modernismo francês, a cidade foi desenhada em formato radial, semelhante a um leque. O plano tornou a capital de Roraima arborizada e ventilada por conta das ruas largas, principalmente em regiões com edifícios altos. Além disso, a cidade ganhou uma série de áreas de lazer ao ar livre que existem até hoje. Outro ponto de destaque do projeto é que as principais avenidas do centro da cidade convergem na praça do Centro Cívico Joaquim Nabuco, onde estão localizadas as sedes dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.

8. Maringá

Catedral de Maringá e centro da cidade. Vários edifícios. Cathedral of Maringá and downtown. Several buildings. (Foto: Getty Images/iStockphoto)

 

Projetada pelo arquiteto e urbanista Jorge de Macedo Vieira, a cidade de Maringá, no Paraná, também entra para a lista. Inaugurada em 1947, Maringá foi pensada como uma “cidade jardim”, seguindo o modelo urbanístico projetado pelo inglês Ebenezer Howard. Dessa forma, a cidade ganhou amplas avenidas e canteiros que valorizam o paisagismo. O plano também dividiu o município por zonas, separadas conforme a função. Assim, a zona 1 foi destinada ao comércio e aos serviços. 

 

9. Palmas

Skyline of Palmas, Tocantins (Foto: Getty Images/iStockphoto)

 

A capital de Tocantins, Palmas, também é uma das cidades brasileiras planejadas. Desenhada pelos arquitetos Luiz Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho, a de ruas largas e divisões quadriculares também tem forte influência da arquitetura francesa. A capital tocantinense foi pensada para ser multifuncional, sem perder o papel administrativo. Ao contrário de outras centros urbanos da lista, Palmas foi pensada para contar com um milhão de habitantes. Entretanto, atualmente a população da cidade é de cerca de 300 mil pessoas.

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