Thoughtful office employee working as an interior designer, 3d modeling on the computer in the office (Foto: Getty Images/iStockphoto)

 

Com o avanço das ferramentas de edição, o uso de renders — imagens ultrarrealistas criadas digitalmente a partir de softwares — tornou-se praticamente uma etapa obrigatória de apresentação do projeto por parte do arquiteto. Mais do que uma simples apresentação mecânica, porém, a criação de uma renderização é a etapa na qual o profissional tem a chance de ilustrar e mostrar em detalhes sua visão ao cliente que, a partir daí, vai realmente começar a se imaginar naquele espaço. “[O principal quando se cria um render] é mostrar algo tangível, possível e que vai se adequar ao sonho do morador (a). Quando fazemos uma imagem 3D, estamos pensando justamente nesse caráter de desejo do cliente”, explica Alexandre Salles, arquiteto e coordenador do curso de pós-graduação em Design de Interiores Contemporâneo do IED São Paulo. Em entrevista à Casa Vogue, o profissional dá dicas sobre como potencializar ao máximo o uso da ferramenta e como evitar criar frustrações ao cliente. Confira, a seguir, 6 erros que devem ser evitados ao criar um render:

 

1. Distorcer itens na imagem para adequá-los ao ambiente

“[Um item que não se deve perder de vista ao criar um render] é sua proximidade com a realidade. É muito importante que se tenha a noção de que a imagem precisa ser real, e também precisa ter um mínimo de sensibilidade e coerência, incluindo iluminação e proporção” afirma Alexandre.

Neste sentido, um dos principais erros na opinião do profissional é manipular itens de mobiliário e outras peças inseridas na imagem, alterando seu tamanho e cor, simplesmente para criar uma imagem mais agradável. Muitos softwares de criação de renders, explica Alexandre, têm inclusive blocos de itens já prontos — como mesas, sofás e cadeiras — que podem ser inseridos e ajustados na criação da imagem. “É perceptível quando alguém utiliza blocos e soluções de mobiliário já prontas que não reproduzem a realidade. Isso é um perigo porque, a partir daí, você passa de uma imagem criada para uma manipulada. Às vezes, o cliente olha e fala ‘quero esse sofá’, mas o sofá da imagem não existe”, exemplifica. Ou seja: não prometa nada que não possa cumprir e tente sempre manter o render o mais plausível possível.

2. Não pesquisar materiais e ambientes antes de criar um render

Este é um erro que vai na linha do item anterior. Afinal, não é possível produzir uma imagem de um ambiente que seja fiel à realidade se você não tem um conhecimento sólido sobre aquele tipo de espaço e sobre os materiais utilizados. “Se você vai projetar um quarto de bebê e você nunca projetou um antes, vá até uma loja de itens bebês. Vá atrás de informações”, aconselha o professor. “Do mesmo modo, é preciso conhecer materiais e ir atrás de informações sobre eles, para não acabar produzindo algo que não existe. Por exemplo: se você precisa colocar um móvel de madeira clara no ambiente, não pode colocar qualquer imagem sem saber a procedência e conhecer os diferentes tipos”.

3. Ficar apegado aos renders super realistas

6 erros comuns na hora de renderizar um projeto (Foto: Arquivo Pessoal / @amandalepski.arq)

 

 

Apesar de muito utilizados, os softwares de mercado não são a única solução possível para ilustrar um projeto ao cliente: alguns arquitetos vêm utilizando, por exemplo, colagens artísticas para transmitir o conceito ao morador (a). E, ainda que se use uma ferramenta digital, criar renders super realistas também não é a única maneira de passar a um cliente uma visão adequada sobre o resultado final do projeto. Lembre-se que criar uma imagem real e uma super realista não são, necessariamente, a mesma coisa: se for adequado, nada impede que o seu render seja mais artístico. “Eu gosto dessa tendência das colagens, ela se aproxima muito do desenho à mão. Estamos falando de uma maior sensibilidade, de uma imagem que tenha uma proximidade com a informação, mas que traga algo mais etéreo, mais poético. Isso acaba sendo muito interessante porque você leva seu cliente para uma outra possibilidade de compreensão daquele ambiente, daquele objetivo”, diz Alexandre.

4. Não entender quando usar uma técnica ou outra

Renders mais realistas e renders mais artísticos cumprem funções diferentes e é claro que não existe certo ou errado na hora de transmitir sua visão sobre o seu trabalho. Mas, segundo Alexandre, existem algumas situações em que uma solução pode ser mais eficiente do que outra. De maneira geral, o profissional afirma que imagens mais realistas são muito usadas para clientes do mercado imobiliário, em grande escala, e também para projetos comerciais menores. Os renders mais artísticos acabam tendo mais força em projetos residenciais.

“Isso geralmente acontece porque, em projetos mais comerciais, temos pouco tempo para produzir algo que tange futuros compradores. Além disso, o ultra realista também traz essa visualização do quanto aquele cliente vai investir e do quanto aquele investimento vai agregar. Isso ajuda a ilustrar o valor no ambiente daquela mesa que custa determinado valor, por exemplo. (…) [Porém] Na escala residencial, quando vemos algumas imagens artísticas, percebemos que o cliente se transporta afetivamente para a imagem que você trouxe e isso gera até um investimento maior, já que ele começa a ter uma outra aproximação com o projeto. E esse grau de aproximação você atinge a partir da sua curadoria de imagem”, diz o profissional.

5. Não ter uma identidade visual

“Incentivo [meus alunos] a terem uma identidade visual também ao criar renders. Até porque muitos profissionais acabam trazendo o mesmo tipo de informação da mesma forma. Então ter uma identidade é um diferencial de mercado (…) Isso vira quase que uma assinatura do arquiteto, que pode virar um novo branding”, afirma Alexandre.

6. Não estudar a fundo o software escolhido

 

“[Outro grande erro] é a falta de inovação por falta de conhecimento: conhecendo os softwares profundamente, você inova bem mais”, aconselha o docente. Afinal, não adianta ter uma base sólida de conhecimento teórico a respeito de materiais e daquele ambiente e não ser capaz de transmitir tudo isso ao cliente por não saber utilizar bem aquela ferramenta digital, certo? Por isso, Alexandre recomenda também estudar e se especializar no uso destes programas, seja para criar renderizados super realistas, seja para conseguir criar imagens mais artísticas para o seu projeto.

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