5 passos para fazer pequenas reformas de forma sustentável (Foto: Erika Karpuk)

 

O Brasil produz cerca de 84 milhões de metros cúbidos de resíduos de construção civil e demolição por ano, segundo um levantamento da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção e Demolição (Abrecon). Ao contrário do que parece, cerca de 70% destes materiais são oriundos de pequenas reformas e descartados por pessoas físicas, chamadas de pequenos geradores. O descarte incorreto cria um padrão insustentável de produção e consumo que impacta diretamente o meio ambiente, a economia e o futuro da sociedade. Por conta disso, é essencial pensar em reformas sustentáveis

 

 

 

 

Ao longo dos últimos anos, o modo da sociedade de enxergar os sistemas de produção está mudando. Entretanto, ainda há um longo caminho pela frente. De acordo com a designer de interiores Erika Karpuk, para mudar efetivamente este cenário, é fundamental que esta mudança se estenda também ao ambiente domiciliar.

5 passos para fazer pequenas reformas de forma sustentável (Foto: Erika Karpuk)

 

Pensando nisso, a designer começou a desenvolver um trabalho para ajudar as pessoas a se libertarem das imposições do consumo e, consequentemente, se conectarem com seus lares. A temática fez com que a profissional reunisse mais de 249 mil inscritos em seu canal no YouTube, que inclui uma série de dicas sobre como fazer pequenas reformas sustentáveis.

“Não existe nada descartável no mundo onde a gente vive. Tudo que sai da nossa casa física, está indo para a nossa casa ‘Planeta’. Nada sai daqui, a gente só tira da nossa frente. Não é só o nosso lar, é o bem-estar da Terra”
Erika Karpuk

Em entrevista à Casa Vogue, a designer listou alguns pontos que são fundamentais para quem pretende fazer pequenas modificações em casa sem gerar tantos resíduos e pensando no bem-estar do meio ambiente. Confira!

1. Desconstruir a perfeição

Um dos pontos principais apresentados pela designer para pensar uma reforma de maneira sustentável é a “desconstrução da perfeição”. Na prática, este termo significa que devemos nos afastar dos padrões sociais para apostar em itens que são realmente necessários para o nosso estilo de vida e para nos fazer feliz. Segundo ela, é importante estabelecer uma conexão com o lar para conseguir identificar o verdadeiro dele, sem criar expectativas exageradas e baseadas em estigmas da sociedade. “Quando a gente condiciona a felicidade a uma casa perfeita, estamos nos baseando na matéria. Ou seja, quando você conquista, perde-se o valor”, explicou Karpuk.

2. Analisar o ambiente

5 passos para fazer pequenas reformas de forma sustentável (Foto: Erika Karpuk)

 

Depois de compreender o verdadeiro valor da casa e entender o que você precisa de fato, o próximo passo é analisar o ambiente. Este momento serve para verificar o que há dentro do lar e dividir estes itens em três categorias: o que pode ser usado, o que pode ser ressignificado e o que deve ser descartado.

Os itens que podem ser utilizados são aqueles que você consegue manter dentro de casa e apenas fazer breves benfeitorias ou modernizações, se achar necessário. Por outro lado, ressignificar os objetos ocorre quando você identifica algo que pode ganhar uma nova função. De acordo com a designer, isso pode ocorrer ao transformar uma porta antiga em uma mesa, por exemplo. Outra dica para ressignificar é utilizar caixas de madeira para criar nichos ou armários. Além disso, substituir móveis de lugar também é uma forma de dar novas funções para um objeto. 

3. Minimizar os impactos com os itens descartados

Ao identificar os itens que devem ser descartados, é fundamental pensar em como gerar menos resíduos. Segundo Karpuk, a dica principal para isso é evitar quebrar paredes e apostar em outros itens que substituam este processo. No caso da parte elétrica, por exemplo, uma alternativa é apostar em instalações externas. Além de trazer um ar industrial e moderno ao imóvel, esta solução minimiza os impactos da reforma.

Outro ponto importante é se atentar com a parte elétrica da casa. Afinal, trocar a fiação é fundamental para a segurança e também contribui para minimizar os custos com energia. Apostar em lâmpadas que gastam menos energia, como a fluorescente e a de LED, também é fundamental para tornar o lar mais sustentável. Além disso, caso seja necessário comprar novos móveis e eletrodomésticos, é importante buscar itens que tenham selos e certificações ambientais e que tenham boa durabilidade.

4. Modernizar e repaginar

5 passos para fazer pequenas reformas de forma sustentável (Foto: Erika Karpuk)

 

Para modernizar e repaginar a casa sem produzir tantos resíduos, uma solução é sobrepor revestimentos. De acordo com a designer, cobrir azulejos com massa acrílica ou cimento é uma alternativa econômica e interessante para quem busca trazer uma aparência moderna para o lar. Em relação aos pisos, os laminados são opções práticas, com bom custo-benefício, durabilidade e que demandam poucos recursos para a instalação e manutenção.

Já para quem busca um ar artístico e repleto de personalidade, uma solução inteligente e que não produz tantos resíduos é o adesivo de vinil. Outra opção para trazer cores para o lar é apostar nas tintas. Segundo a designer, utilizar moldes de pintura, como o stencil, é ainda melhor para reduzir o uso de tinta e criar uma aparência incrível no lar. 

 

 

 

 

 

5. Descarte de resíduos

Por fim, devemos lembrar que é impossível reformar sem gerar nenhum resíduo. No entanto, o descarte deve ser consciente. Para isso, é necessário dar um novo olhar para os materiais e lembrar que, mesmo não servindo mais para você, estes itens ainda podem servir para outras pessoas. “É importante buscar empresas que recolham o lixo. Não só colocar na caçamba, mas fazer uma busca na internet para encontrar pessoas que trabalham com isso. ONGs que recolhem e pessoas que reutilizam os materiais para fazer artesanato”, explicou a designer.

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