A crise habitacional não vem de hoje. Já faz anos que governos e instituições buscam soluções para abrigar de forma digna a população, em especial a parcela com renda mais baixa. O objetivo? Garantir o direito a moradia, possibilitar o desenvolvimento destas famílias e, consequentemente, o crescimento da cidade como um todo. O que muitas vezes nos esquecemos, porém, é que, apesar das suas largas escalas e muitas vezes orçamentos reduzidos, projetos de habitação social podem, ainda por cima, se tornar ícones da arquitetura.  É o caso das 10 moradias populares que listamos abaixo – todas assinadas por verdadeiros gurus. 

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1. Conjunto Habitacional Quinta Monroy – Alejandro Aravena
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)

Ganhador do Pritzker, o chileno Alejandro chama atenção especialmente por conceber projetos engajados socialmente. Entre eles, está o conjunto habitacional Quinta Monory, concebido para abrigar 100 famílias que há anos ocupavam a área. Sem a possibilidade de financiar casas “completas”, devido à grande valorização do bairro, governo, população e o escritório de Alejandro, Elemental, acharam uma solução inesperada: oferecer uma casa com o mínimo necessário: banheiros, cozinha, escadas e paredes divisórias; um projeto de 36 m², mas que apresenta a possibilidade de, no futuro, ser facilmente reformado e chegar na metragem de 72 m², de acordo com a necessidade de cada morador.

2. Conjunto Aranya – Balkrishna Doshi
Conheça o trabalho de Balkrishna Doshi, vencedor do Pritzker 2018 (Foto: John Paniker)

O plano diretor do conjunto Aranya, erguido em Indore, na Índia, no final dos anos 1980, surgiu como parte de uma política pública de habitação social que último vencedor do Pritzker, Balkrishna Doshi, ajudou a formular. O complexo tem agora mais de 80 mil habitantes e se resume a um sistema de casas conectadas por pátios e caminhos internos, onde famílias de baixa e média renda convivem de um jeito fluido, sem barreiras. “Desenhei algumas casas-protótipo e os moradores foram adaptando, inventando novas soluções. Hoje, algumas unidades têm até três andares. Tudo isso significa que, se dermos oportunidade para as pessoas chegarem lá, elas chegam. Acho que essa foi a minha maior contribuição social”, contou o arquiteto em entrevista à Casa Vogue.

3. Dortheavej Residence – Bjarke Ingels Group
BIG conclui complexo que se funde à paisagem em Estocolmo (Foto: Divulgação)

O escritóriuo de Bjarke Ingels concluiu este ano o Dortheavej Residence, que pode ser traduzido como “Casa para todos”. O empreendimento residencial, criado para ter valores acessíveis, fica em Copenhague e é composto de módulos pré-fabricados, que variam entre 60 e 115 m² – todos empilhados uns sobre os outros em diferentes alturas, de modo que qualquer morador tem uma visão desobstruída da paisagem. O complexo é projetado em parceria com a instituição sem fins lucrativos Lejerbo e fica em uma antiga área industrial.

4. Escola da Fazenda Canuanã – Aleph Zero + Marcelo Rosenbaum
Marcelo Rosenbaum projeta escola no Tocantins com ajuda de aluno (Foto: Leonardo Finotti)

Na zona rural de Formoso do Araguaia, a 320 km de Palmas, encontra-se há 44 anos a escola da Fazenda Canuanã – um internato que acolhe 800 alunos provenientes de localidades ainda mais afastadas. Os pavilhões, no entanto, não ofereciam conforto para a maior parte dos estudantes. Assim, o designer Marcelo Rosenbaum, em parceria com Gustavo Utrabo, do escritório Aleph Zero, foi chamado para colocar a reforma em dia. A nova escola, com novas salas e novos quartos também, traz adaptações que além de sustentáveis foram desenvolvidas em parceria com as crianças – aos poucos elas compartilharam suas memórias e revelaram como a morada seria se eles mesmos pudessem desenhá-la. O resultado rendeu a parceria brasileira o RIBA 2018.

5. Edifício São Vito – Aron Kogan
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)

Com 25 pisos e 600 quitinetes, o edifício assinado por Aron Kogan foi concebido em 1959 e chegou a ser um símbolo do que havia de mais moderno em habitação popular. Com sua estrutura de concreto armado e fachadas de brise-soleil, a torre foi criada para abrigar migrantes, imigrantes, caixeiros-viajantes e outros profissionais liberais que vinha a São Paulo em busca de trabalho. O projeto que inovava ao levar moradias de baixa renda para centro da cidade não resistiu ao tempo. Em 2011, após anos sofrendo com falta de manutenção, o edifício foi demolido.

6. Conjunto Pedregulho – Affonso Eduardo Reidy
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)


 

Projetado em 1946 e concluído em 1958, o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como Pedregulho, é assinado por Affonso Eduardo Reidy, tem painéis de Anísio Medeiros e Candido Portinari, paisagismo de Roberto Burle Marx e se tornou ponto turístico no Rio de Janeiro, especialmente após a reforma em 2015. Chama atenção sua forma serpenteada, seus 260 metros de comprimento e os 272 apartamentos projetados inicialmente para servir de moradia para os funcionários públicos com salários mais baixos.

7. Habitação Pós-Tsunami – Shigeru Ban Architects
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)

Pensado para socorrer os moradores de uma vila de pescadores muçulmana, na região de Tissamaharama, na costa sudeste do Sri Lanka, após a destruição causada pelo tsunami de 2004, o projeto do vencedor do Pritzke é composto por 100 casas pensadas para clima da região e desenvolvidas com materiais e mão-de-obra local, de acordo com as necessidades da população. Assim, a área coberta oferece, por exemplo, um espaço de entretenimento do qual as mulheres podem se retirar para manter a privacidade e a madeira escolhida vem de uma seringueira local.

8. Redondinhos – Ruy Ohtake

 

10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)

Após declarar para uma revista que o mais feio em São Paulo era Heliópolis, querendo dizer que o que mais o incomodava na cidade era a diferença entre bairros ricos e pobres, Ruy Ohtake recebeu uma ligação de João Miranda, o líder comunitário, em vez de exigir explicações, pediu ao profissional que ajudasse a deixar o lugar a ficar mais bonito. Assim surgiu o projeto do conjunto habitacional conhecido como Redondinhos, composto por 19 edifícios cilíndricos, com quatro andares cada e 18 apartamentos por andar. Todos com faixadas coloridas. Cada detalhe pensado para dar graça e moradias dignas para a população local. Segundo o arquiteto, a forma redonda, por exemplo, permite que os prédios fiquem mais distantes um dos outros, o que traz mais privacidade, além de aumentar a entrada de luz e a ventilação.

9. Unite d’habitation (Marselha) – Le Corbusier
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)

Parte de um grande projeto de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial, a unidade de Marselha é a primeira das Unités d’Habitation, criadas por Le Corbusier. Com 100 metros de comprimento, 15 andares e 337 apartamentos, o projeto traduz os elementos fundamentais da arquitetura moderna: está construído sobre pilotis, possui planta livre da estrutura, terraço-jardim (com creche, solário e piscinas na cobertura), fachada livre, além de ser essencialmente horizontalizado. Uma obra prima que inspirou diversos projetos posteriores e em 2016 foi eleito Patrimônio Mundial pela UNESCO.

10. Parque Cecap – João Batista Vilanova Artigas, Fábio Penteado e Paulo Mendes da Rocha
10 moradias populares projetadas por arquitetos renomados (Foto: Divulgação)

Entre o aeroporto internacional de São Paulo e a rodovia Presidente Dutra, fica o Conjunto Habitacional Zezinho Magalhães Prado, conhecido como Cecap. Projetado pelo João Batista Vilanova Artigas, Fábio Penteado e Paulo Mendes da Rocha o complexo conta com 62 blocos, formados por dois prédios de três andares cada um, que totalizam 3.720 apartamentos com planta livre de 64m2. Um plano modernista, pensado por Artigas em 1967 como um verdadeiro bairro,que teria ainda infraestrutura completa de educação, saúde, lazer e comércio.

 

 

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